República do leite condensado

Vivemos uma ditadura de pouco mais de duas décadas: de 1964 a 1985. Para que quem, como eu, nasceu na segunda metade da década de 70, muito do que se sabe é pelo estudo, pela pesquisa, por livros, filmes e documentários. Há também a possibilidade de observarmos como os comandantes dos sistemas ditatoriais se comportam. Invariavelmente é do mesmo jeito em quase todo canto.

Nas ditaduras, as forças armadas são vistas como honestas e probas, mas superfaturam compras e apresentam notas fiscais frias.

Nas ditaduras, não há escândalos de corrupção, mas filhos de presidentes conseguem evitar que provas contra si sejam utilizadas, mesmo que todos saibam que eles são contumazes ladrões.

Nas ditaduras, os presidentes encerram entrevistas coletivas com a imprensa sempre que lhes são feitas perguntas incômodas. E ainda xingam jornalistas.

Nas ditaduras, os projetos de quem governa são aprovados à base de chantagem. Ditadores odeiam que pobres possam estudar.

Nas ditaduras, bobos imaginam que são importantes para os regimes ditatoriais, mas servem apenas como bucha de canhão.

As ditaduras são instaladas sob pretexto de moralização política e resgate dos bons costumes, mas nelas os seus líderes são pervertidos que estão no terceiro ou quarto casamento.

Nas ditaduras, sobretudo aquelas erguidas sob uma pretensa cristandade, milícias, grupos de extermínio e súcias são quem dão suporte aos governantes.

Nas ditaduras, quase diariamente surgem supostas trapalhadas, fatos pitorescos ou pretensos escândalos com a intenção de desviar a atenção para a incompetência de quem governa e esconder os crimes praticados contra a nação, contra o povo e as instituições.

Nas ditaduras, há bodes expiatórios para tudo, porque nelas, o governante não erra.

Nas ditaduras, milícias digitais são pagas para arruinar reputações, desmerecer a ciência e espalhar notícias falsas.

Nas ditaduras, as instituições, sobretudo policiais e judiciárias, apenas legitimam a lei do mais forte, soltando quem fere e prendendo quem luta.

Nas ditaduras, tudo é feito para que quem vive esmagado pelo sistema pense que faz parte dele, mas é apenas correia de transmissão do poder que oprime.

Muito que do aprendi sobre ditadura foi observando o que vem acontecendo desde primeiro de janeiro de 2019. Não foi por aqui, pois evoluímos de Republiqueta de Bananas para República do Leite Condensado.

 

BAIXO NÍVEL

Muito ruim a oratória de uma parte considerável dos atuais vereadores da Câmara Municipal de Mossoró. Há problemas de raciocínio, de dicção e uso da norma culta. Nossa torcida é que melhore.

 

BOM DEBATE

Falar em Câmara Municipal, prometem bastante os embates que tem sido travados entre Raério Araújo (PSD) e Francisco Carlos (PP). Dois dos mais preparados parlamentares da Casa numa interessante batalha.

 

EM BAIXA

O prefeito Álvaro Dias (PSDB) apostou tudo no uso da ivermectina para superar a pandemia da covid. Como todos sabem da ineficácia do medicamento, o resultado da aposta tem sido o agravamento da pandemia, com aumento de internações e mortes na capital do Estado.

 

NA DISPUTA

O Rosadismo estará na disputa eleitoral do próximo ano. A confirmação foi feita ao Portal do RN pela vereadora Larissa Rosado (PSDB). O nome ainda não foi escolhido, tampouco o cargo em disputa (deputado estadual ou federal), mas o grupo quer estar forte no próximo pleito.

 

CONVERSA DA SEMANA

A entrevista completa com Larissa Rosado será publicada no próximo sábado, 27/2, na Conversa da Semana.

Notícias semelhantes
Comentários
Loading...