O estranho caso do senador que acha que é promotor, mas age como xerife

O Brasil é pródigo em eleger caricatos. Palhaços, atores pornôs, supostos líderes. Todos, na chegada ao parlamento, se mostram sem nenhuma graça. Pior, muitos passam a depor contra o cargo conquistado e, principalmente, contra quem o elegeu. Há pouco mais de 2 anos no Senado, o Policial Militar Styvenson Valentim caminha para ser um deles. Capitão da PM, Styvenson, já escrevi aqui, se elegeu apenas por dar visibilidade ao cumprimento de sua obrigação enquanto militar: fazer valer as regras de trânsito. Ao chegar ao Senado, Styvenson o confunde com o Velho Oeste. Acredita piamente que está imbuído do poder de acusar, investigar e punir. A sua mais recente declaração pública é uma mistura de crime e aberração.  Por meio de uma rede social, o senador acusou servidores de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Natal de serem autores de um assalto praticado contra aquele equipamento público. Não se viu retratação pública de Styvenson a respeito de sua leviandade. Pouco se sabe de sua produção legislativa, embora o parlamentar esteja sempre em evidência – na mídia ou nas redes sociais. É por meio dessas últimas, por exemplo, que se tomou conhecimento dos seus destemperos verbais que não pouparam sequer a própria irmã do senador. Styvenson parece querer agir como promotor, mas se sobressai, caricatamente, como xerife.

 

ONUS PROBANDI

Graduado em Direito e pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal, o senador Styvenson Valentim sabe que o ônus da prova cabe a quem acusa. Se ele acusou os servidores de roubar vacinas é porque deve ter muitos elementos que o deram a segurança para ser tão incisivo em sua acusação. Ou não?

 

CRIMES DO ERNESTO

É difícil acreditar que não tenham sido avalizadas por Bolsonaro as patuscadas, acusações e crimes praticados pelo chanceler Ernesto Araújo. Alçado à condição de ministro das Relações Exteriores apenas por ser colega de fast food do filho do presidente, Ernesto se notabilizou por criar cortinas de fumaça, elemento indispensável para que o país esqueça a política criminosa do governo Bolsonaro. Não demorará para voltar ao governo. Anotem.

 

GOVERNADORES INVESTIGADOS

Pelo menos 5 governadores enfrentam investigações por causa de problemas na gestão dos recursos da saúde. Carlos Moisés (PSL) de Santa Catarina, enfrenta a CI dos Respiradores; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, é investigado por funcionários da saúde terem furado a fila da vacinação; Antônio Denarium (PSL) de Roraima, é suspeito por fraudes em contratos e  Wilson Lima (PSC), do Amazonas, poderá enfrentar uma segunda CPI.

 

GOVERNADORES INVESTIGADOS II

Além deles, não se pode esquecer de Wilson Witzel (PSC), do Rio de Janeiro, que enfrenta processo de impeachment por conta de irregularidade nas contas da saúde. Witzel e Carlos Moisés estão inclusive afastados dos cargos por conta das investigações.

 

PUNIÇÃO CORRETA

Personalidades paulistas tentam sensibilizar o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Carlão Pignatari, a levar ao plenário da Casa a votação sobre a pena a ser imposta ao deputado Fernando Cury (Cidadania), flagrado, em dezembro passado, apalpando o seio da também deputada Isa Penna (PSOL) e ainda tentando dar-lhe uma encoxada. Cerca de 15 mil pessoas se engajaram ativamente em campanha pela cassação do mandato do deputado, punição que jugam ser a mais correta em face da gravidade do caso. Além disso, os deputados receberam mais de 1 milhão de e-mails com o mesmo pedido.

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