Proteção ao coronavírus

Pesquisadores da Ufersa produzem protetores faciais com novos materiais

Equipamentos estão sendo produzidos com polimetilmetacrilato e peróxido de benzoíla

Pesquisadores da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) estão testando e produzindo escudos faciais (Face Shield) a partir de novos materiais. O mais recente é uma junção de polimetilmetacrilato e peróxido de benzoíla.

“Esses materiais quando misturados enrijecem e formam uma resina acrílica”, explica  o professor Marcelo Bezerra, do Departamento de Ciências Agrárias da Ufersa,  e coordenador do Laboratório de Tecnologias Reprodutivas e Inovações em Modelos Animais (TRIMA). Outras resinas também já estão sendo testadas.

A iniciativa complementa o trabalho de outros profissionais da Universidade que estão produzindo Face Shields com o uso de impressoras 3d. “No nosso laboratório já havíamos desenvolvido uma técnica de micro moldagem com um tipo de silicone para avaliação celular, então, sabíamos do potencial desse produto em situações macroscópicas” afirmou.

A Ufersa adquiriu os produtos nas quantidades necessárias para teste e fabricação considerável. A intenção é aumentar a produtividade de hastes para Face Shields por um método de baixo custo, alternativo, bem como complementar a produção realizada com as impressoras 3d, poupando de sobrecarregá-las, bem como os profissionais envolvidos.

Prof. Marcelo Bezerra contou com a apoio de outros pesquisadores. Foto: cedida.

“Criamos moldes para replicar no que já foi produzido na impressão 3d, ou seja, são vários moldes em silicone e a partir desse processo utilizamos a resina acrílica para produzir o material” explicou o professor Marcelo Bezerra.

Outra questão levantada é à disposição da Universidade para maiores informações sobre a iniciativa. “Estamos propondo uma ação em rede denominada inicialmente de Viralizando Face Shields”. Nessa ação, serão cadastradas instituições parceiras e disponibilizaremos uma descrição detalhada do protocolo produzido pela Ufersa para a replicação de Face Shields, possibilitando desta forma o compartilhamento para qualquer instituição que deseje replicá-la. “Como os vírus são altamente replicantes, entendemos que uma resposta semelhante deve ser-lhes dada, daí o nome proposto” pontuou.

Como Equipamento de Proteção Individual (EPI) o escudo facial reduz em 96% a exposição viral quando usado por profissionais de saúde, simulado a 30 cm de tosse. Com uma distância maior de aproximadamente dois metros, as Face Shields reduziram o vírus inalado em 92%. “O equipamento não anula o vírus, mas diminui consideravelmente a infecção, ainda mais quando associado a outros equipamentos de proteção individual” alertou o professor.

A iniciativa demonstra o compromisso social da Universidade ao disponibilizar a pesquisa no desenvolvimento de tecnologias alternativas no enfrentamento da pandemia por Coronavírus. Nessa semana, a Ufersa Mossoró chegou ao quantitativo de 1.000 Faces Shields produzido pela equipe que trabalha com as impressoras 3d. Os escudos faciais estão sendo confeccionados no Laboratório Didático de Química Orgânica da Ufersa, localizado no Campus Mossoró.

“As hastes produzidas compõem as Faces Shields servindo de suporte para o visor. Elas devem ser necessariamente leves e ergonômicas para evitar o desconforto dos profissionais que já se encontram sob estresse severo e não devem passar por desconfortos adicionais” descreveu o professor Marcelo Bezerra. Os EPIs destinam-se para os trabalhadores que estão no atendimento direto a pacientes com a Covid-19. Os escudos faciais não são descartáveis, podendo receber o tratamento adequado e ser reutilizados na proteção dos profissionais.

O professor informou que até ontem, 7/5, já haviam sido produzidas 250 hastes chegando a uma produção de 10 hastes por hora trabalhada. “Esse quantitativo equivale a dez impressoras 3d em trabalho simultâneo” frisou o professor alegando que a técnica possibilita a diminuição da sobrecarga no uso das impressoras, equipamentos que necessitam de manutenção, além de atenção constante devido ao seu valor aquisitivo.

“Fazemos réplicas exatas das hastes matrizes (de uso autorizado) e produzimos tantos quantos moldes sejam de interesse. Assim, replicamos as mesmas hastes em progressão geométrica, isso vai depender da quantidade de instituições e profissionais envolvidos”. Outra vantagem é o número reduzido de profissionais no trabalho.  “Aqui na nossa experiência, três pessoas fazem o função de dez impressoras, imaginemos isso em várias instituições com mais pessoal e laboratórios envolvidos na produção” projeta o professor Marcelo Bezerra. (Fonte: ufersa.edu.br)

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