Crônica

O HEROI DO SERTÃO

Serro Bravo, onde nasceu, poderia ficar em qualquer estado do Nordeste Brasileiro. Os coronéis, senhores de gado e gente, presença constante no cenário de suas aventuras, o perfil cangaceiro dos bandos contra os quais combatia, a linguagem das personagens, tudo sugeria o sertão nordestino. Mas, a figura de Jerônimo, o herói do sertão, foi um pouco inspirada nos cowboys do velho oeste norte-americano de mistura com cavaleiros andantes de romances medievais, sempre dispostos a lutar em qualquer lugar, onde a honra e justiça necessitassem de sua coragem.

A criação de Moyses Weltman tornou-se o maior sucesso nacional de séries/novelas radiofônicas nos anos 1950 e 1960, no Brasil, somente igualado pela anterior “O Direito de Nascer”, ambas produções da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Esta última, porém, foi uma história única, enquanto o herói do sertão protagonizou séries sucessivas, pois quando Jerônimo resolvia as coisas em determinado lugar, deixando tudo às mil maravilhas, já chegava uma carta ou uma notícia de outra cidade da região, às voltas com os fora-da-lei ou com coronéis tiranos.

Em Mossoró, a novela estava na programação da Rádio Difusora, nas noites de segunda a sexta, às 19:30h, colado com o noticiário oficial “A Hora do Brasil”. Em estilo cinematográfico uma voz forte de locução anunciava: “Melhoral, apresenta: Jerônimo, o Herói do Sertão!”, seguida da música-tema de abertura. Nesse momento, quem andasse pela calçada, a rua inteira, poderia até acompanhar a saga de Jerônimo e seus companheiros, enfrentando o Caveira ou outro chefe perigoso, pois todos os rádios, geralmente na sala de visita, estavam na mesma sintonia.

Elemento reincidente das tramas era a marcação do casamento de Jerônimo, interpretado por Milton Rangel, com Aninha, cuja voz era de Dulce Martins, e que sempre era adiado em razão da nova empreitada. Aliás, Aninha, como exemplar sertaneja, acompanhava Jerônimo no enfrentamento dos perigos encarados com bravura ao lado também do Moleque Sacy, que tinha a voz de Cauê Filho. O herói e seu companheiro fiel montavam, respectivamente, os cavalos Príncipe e Goiabada. Todos os rádio-atores e rádio-atrizes eram, antes de tudo, radialistas com várias funções nessa área. A voz de Milton Rangel, por exemplo, podia ser ouvida na narração dos conhecidos cinejornais que antecediam a exibição de filmes nos cinemas brasileiros.

O rádio, ou a televisão, jamais produziram herói com a identidade popular do Jerônimo, que parava as noites em Mossoró e em todo Brasil.

 

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