Não caiamos nessa

Bravatas, ameaças e coices. Essas tem sido as reações do presidente Bolsonaro toda vez que o Judiciário cumpre com o seu dever. Construir uma narrativa de perseguido é o seu principal objetivo. Talvez não cole, por três razões especiais. A primeira delas é que as evidências são muito fortes. Segundo: muitas das irregularidades são praticadas a olho nu pelo chefe do Executivo nacional.

Terceiro: Bolsonaro quer fazer crer que o Supremo Tribunal Federal (STF) está no seu encalço. Não é. Há investigações contra ele e sua família também na Polícia Federal, no Ministério Público Estadual, no Ministério Público Federal, na Polícia Civil, no Tribunal de Contas da União e, acreditem, até mesmo na Procuradoria Geral da República (PGR). Do ponto de vista da relação com os poderes, lamentável que o Legislativo esteja tão acovardado.

Na questão institucional, não há, por parte do presidente, respeito a nenhuma delas. E observando-se sob a ótica governamental, não há nada que se aproveite. Nem mesmo os pilares fundamentais se sustentam na gestão Bolsonaro. A economia já claudicava antes da pandemia da Covid-19. Os principais – e espúrios – objetivos do governo ainda não foram atingidos: privatizar tudo. Reside aí o desespero de Paulo Guedes, revelado nos palavrões que são marca registrada dessa administração (?).

O combate à corrupção era só balela para encantar tolos. A corrupção aumentou, mas está menos vista: o presidente esconde tudo. A saída do ex-ministro Sérgio Moro escancarou a falta de agenda nessa área. A Saúde, há mais de mês sem ministro, e a Educação, comandado até ontem por um despreparado, mostram o quanto desmantelar o Brasil é o projeto de Bolsonaro.

Em segundo plano, o que motiva Bolsonaro a continuar na presidência é utilizar a estrutura oficial governamental para impedir investigações contra ele e a própria família. Bolsonaro não tem espírito público, não tem competência administrativa nem idoneidade moral para ocupar tão alto posto.

Diante de tudo isso, resta a ele apenas dizer que está sendo perseguido. Ele não está, ainda, embora devesse estar. Quem está são seus filhos e amigos. Mas é a persecução penal, que não pode abrir exceções para amigos e familiares de ninguém. Nem do presidente da República. Não caiamos nessa balela de perseguição política. Até porque quem está buscando fazer – tardiamente, diga-se de passagem – o seu papel é o Judiciário.

AGORA VAI?

Se as instituições aturem com a autonomia que precisam todas as dúvidas sobre as relações espúrias da família Bolsonaro com criminosos serão esclarecidas. O senador Flávio Bolsonaro (Republicano/RJ) por exemplo, erá a chance de explicar tudo ao Ministério Público Federal (MPF). Já foi intimado. Espera-se que não fuja, afinal de contas, honestidade é a marca registrada dos Bolsonaro. Ou não?

FALSA NORMALIDADE

Forçando a barra, coisa comum no Brasil, alguns setores em Estados e municípios brasileiros vão retomando algumas atividades. Mesmo que em alguns locais haja um certo controle da pandemia da Covid-19, não está na hora dessa retomada, principalmente nos grandes centros. No jogo do Flamengo ontem, enquanto os jogadores corriam atrás da bola, no mesmo espaço de tempo da partida, duas pessoas perderam a vida no hospital de campanha do Maracanã.

FALSA NORMALIDADE II

Parece haver nitidamente uma forçação de barra para que as pessoas sintam uma falsa sensação de que é possível uma volta à normalidade agora. É necessário destacar que não haverá uma volta à normalidade, mas chegaremos a uma “nova normalidade” em que mesmo controlada a pandemia, seremos obrigados a incorporar por um bom tempo alguns hábitos.

FALSA NORMALIDADE III

O risco dessa falsa sensação de normalidade é os governantes começarem a construir a narrativa da volta de determinadas atividades, como aulas, principalmente na rede pública.

SEM CONDIÇÕES

Para quem conhece a realidade dos alunos de Mossoró, especialmente os das camadas mais humildes, em que a falta de condições materiais para colocar em prática hábitos de prevenção são cada vez mais escassos, voltar às aulas sem que haja uma vacina – e todos estejam imunizados – é uma tragédia anunciada.

BOLA FORA

O senador potiguar Styenson Valentim (Podemos) está com uma enquete na internet em que consulta as pessoas sobre apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para tornar o voto facultativo. Agentes políticos (chefes de Executivo e parlamentares) precisam incentivar o processo democrático, estimular as pessoas à participação política, a se interessar cada vez mais pelas eleições. Ao invés disso, um senador vem propor algo em contrário. Francamente. Quanto menos a escolha for legitimidade pela participação popular, maiores as chances de o resto de democracia que ainda temos ir pelos ares.

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