Genocídios e o caso brasileiro

A inepta, mordaz e sicária atuação do governo federal no atual contexto da pandemia da Covid tem levado uma grande parcela da população a impingir ao presidente Bolsonaro a alcunha de genocida. Consideram que, pelos atos sabotadores e discursos negacionistas, muitas das mortes pela doença podem ser postas na conta do mandatário – porque evitáveis se adotadas as medidas corretas -, daí, portanto, a razão para que assim ele seja tratado, afinal de contas estamos diante de um verdadeiro morticínio. Os defensores do presidente discordam, logicamente. Ocorre, porém, que o fazem sem apresentar argumentos, apenas buscando desqualificar os oponentes, estratégia rasa que se tornou comum no seio bolsonarista. Para contribuir com o debate, apresentamos aqui as definições do vocábulo para que o leitor analise se há enquadramento terminológico entre o verbete e as ações (ou falta delas) do governo Bolsonaro no enfrentamento à pandemia. Quem primeiro apresentou uma definição para o termo foi Raphael Lemkin, em 1944, após Winston Churchil afirmar que a matança provocada pelo regime nazista era “um crime sem nome”. Para Lemkin genocídio é um “plano de desintegração política e social de determinados grupos em uma sociedade”. Para a Organização das Nações Unidas (ONU), pode ser caracterizado como genocídio qualquer ato perpetrado com o objetivo de destruír um grupo nacional.  Embora a ONU se refira a grupos em específicos, a definição, logicamente, se aplica quando as consequências da ação ou omissão atingem toda uma nação, como ocorre no caso brasileiro. Por fim, há ainda uma crítica bolsonarista sobre o fato de o termo genocida ser utilizado de forma massiva, como se quem o utilizasse não tivesse conhecimento sobre ele. Quando os corpos de uma tragédia são empilhados em contêineres, como tem ocorrido no Brasil, isso se torna irrelevante. O mais importante mesmo é fazer ecoar o clamor de todos aqueles que veem descaso numa política governamental. Seja ela genocida ou não. Façam suas avaliações.

 

DADOS ALARMANTES                       

O Brasil chegou 259.271 mortes por Covid. Por aqui, o número de óbitos cresceu 11% nos últimos dias. No resto do mundo, eles caíram 6%. Chegamos a quase 2 mil mortes em apenas um dia.

 

GRANDEZA DE GIGANTE

A deputada estadual Isolda Dantas (PT) ligou para o prefeito Allyson Bezerra (SDD) e colocou o seu mandato à disposição da prefeitura de Mossoró para o enfrentamento à pandemia. E o fez de forma prática: já com o pedido para que o Governo do Estado libere o mais rápido que puder uma emenda de R$ 2,3 milhões para a saúde da cidade.

 

GRANDE PERDA

Nossa solidariedade ao colega jornalista Saulo Vale pela perda de seu genitor. Seu Fernando Antônio Bezerra, 67 anos, foi mais um a perder a luta contra a covid.

 

SACRIFÍCIO COLETIVO

A pandemia da covid se abate sobre muitos e poderá atingir a todos se não for contida. Para vencê-la será necessário o sacrifício de todos.

 

DITADURA SIM

Dois professores da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) tiveram que assinar um termo de conduta se comprometendo a não mais criticar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sob pena de sofrerem punições mais severas.

 

NÃO É SÓ LÁ

Aliás, em todo canto tem gente sendo pressionada a não criticar Bolsonaro ou qualquer pessoa ou empresa que apoie o presidente. Em todo canto mesmo. São ameaças quase diárias.

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