Crônica

A NOITE NAS PRAÇAS

Nas cidades brasileiras, de qualquer tamanho ou importância, as noites nas praças públicas foram testemunhas de uma época. Tempo em que o contato entre as pessoas tinha que ser direto, presencial, pois a tecnologia mais avançada de contato à distância, o telefone, era limitada em todos os aspectos; tempo em que os centros das cidades eram residenciais e os bairros lhe ficavam no entorno e vizinhança e, assim, ninguém estava muito longe de casa quando saia a passear; tempo em que a segurança urbana era percebida naturalmente, de modo que nem era comentada, e ainda assim os cuidados das famílias pautavam o retorno à casa antes das 10 horas.

Praças públicas eram o principal equipamento urbano, mas ninguém as via sob tal classificação, própria de frios documentos de plano diretor urbanístico. Era simplesmente uma praça, com nome de Santos, de personalidade, data ou acontecimento histórico, ou simplesmente sem nome, com as pessoas adotando um nome associado a algo ou fato referente ao local, principalmente templos religiosos.

Vêm de tempos pretéritos em Mossoró a Praça Vigário Antonio Joaquim ou Praça da Catedral, Praça Rodolpho Fernandes ou Praça do Pax, Praça Bento Praxedes ou Praça do Codó, Praça Antonio Gomes ou Praça da Cadeia, Praça da Independência ou do Mercado, Praça Alípio Bandeira ou do Mercado do Alto da Conceição, Praça Getúlio Vargas ou Praça dos Correios, Praça da Redenção ou Praça da União Caixeiral, Praça Cônego Estêvam Dantas, ou dos Hospitais, Praça Felipe Guerra, Praça Raimundo Rubira, na Boa Vista, além daquelas referidas a templos católicos: São José, São Manoel, São João, São Vicente, N. Sra. da Conceição, Coração de Jesus.

Olhando para algumas cidades de nossa região, Assu tinha (tem) sua Pça. São João Batista, Areia Branca a Nossa Senhora da Conceição, mesmo nome da Praça da Matriz de Martins que também tem a Praça Almino Afonso. Praça da Conceição também é a mais antiga de Macau e tinha um coreto. Patu ama sua Praça João Carlos, da antiga cadeia. Em Pau dos Ferros a antiga Praça da Matriz, com seu obelisco, é a atual Monsenhor Caminha.

Citamos praças com mais de 50 anos por marcar o tempo de plenitude desses lugares como locais de encontros. Mas, outras vieram com a expansão das cidades mantendo o privilégio de reunir pessoas. Por todas elas, suas calçadas e alamedas, sob suas árvores e luzes, impossível imaginar quantas histórias, amores, amizades, esperanças, ideais foram vividos e (quem sabe?) permanecem por lá à espera de serem resgatados por outras gerações. Cada um, pela própria memória, pela memória de outros ou pela memória das coisas, pode voltar às suas praças, especialmente às suas noites nas praças.

 

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