A angustiante rotina de ausências

A cada noite, a maioria de nós, todos talvez, dorme com a esperança de que ao acordar no dia seguinte teremos boas e novas notícias sobre a pandemia da Covid-19. A expectativa, sempre renovada, de que não teremos mais que viver distantes de pais, amigos e familiares, é quebrada.

Quando se encerra um mês e um novo começa, isso tudo se multiplica: os desejos, as expectativas, os sonhos, a esperança. Principalmente quando os dias longe da normalidade vão se somando e acumulando nossa angústia. O retrato do cotidiano, infelizmente, não é muto animador.

Os dados só aumentam, justamente com a insensibilidade de gente que desde o início ignora tudo o que deveria ser feito para que a pandemia não se alastrasse entre nós.

Por vaidade, ignorância ou maldade, uma parcela da população segue colocando a si e a todos em risco. Em aglomerações cotidianas, em festas clandestinas, em visitas descuidadas, em viagens desnecessárias.

Em poucas vezes na história do país, vê-se gente indo em busca da doença. Sim, a Covid-19 é de fácil contágio e mata. Mas ela não sai de casa em casa. Somos nós que vamos à sua busca toda vez que enchemos as praias de gente, a cada vez que nos arriscamos em festinhas caseiras, todas as vezes que realizamos reuniões de calçadas com gente com arrogância e sem máscaras. Em Mossoró, isso acontece todos os dias, a todos os instantes.

Para junho, a certeza de que quem está cumprindo o isolamento social, o fará durante mais 30 dias, na esperança de estar contribuindo para evitar a proliferação da doença. Quem está respeitando todos os protocolos de segurança faz um grande esforço, porque por mais que seja bom estar mais tempo em casa, as pessoas do lado de fora fazem falta, o trabalho faz falta, a correria faz falta, a rotina faz falta. Porque essa rotina de ausências faz a falta que as outras coisas fazem ser dolorida, demorada e angustiante. Que não traga desesperança.

NÍVEL DO RACIOCÍNIO

Taxa de isolamento muito baixa, o povo invadindo as praias nos finais de semana, a Covi-19 acamando e matando pessoas todos os dias, e tem gente achando que é mais importante preservar o direito de ir e vir em detrimento da vida.

NÍVEL DE CONSCIÊNCIA

Nesse final de semana, por exemplo, cerca de 3 mil carros passaram por barreiras sanitárias nas entradas das cidades de Areia Branca e Tibau.

NÍVEL DE CRISTANDADE

Um casal apoiador do presidente (sendo o marido um militar) realizou o aniversário da filha na última sexta-feira, 31/5, em Mossoró. Colocou em risco a vida de dezenas de pessoas, a maioria delas crianças. A estultice foi denunciada e a mãe ainda foi às redes sociais fazer sarcasmo com a situação.

REAÇÃO DESNECESSÁRIA

Se ele é honesto, se os filhos são corretos, causa estranheza que o presidente Bolsonaro tenha arroubos de agressividade com a investigação que o Supremo Tribunal Federal (STF) faz contra as fake news. De que Bolsonaro tem medo?

MAIORES DERROTAS

O Supremo Tribunal Federal (STF) não atua em função do governo Bolsonaro. Quem tem imposto mais derrotas ao presodente é o Congresso Nacional e, mesmo assim, o que ele tem feito é agraciar membros daquele poder, oferecendo cargos e mais cargos ao centrão.

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