TEATRO ALBERTO MARANHÃO

Os Arabescos de seus portais introduzem à placidez de seu jardim interno, com estátuas e luminárias que remetem à época de fundação mais de cem anos atrás. Daí para seu interior, onde a decoração mesmo simples, não deixa de exprimir o ar majestoso dos teatros, sobretudo nos balcões de seus camarotes.  Especialistas definem o estilo arquitetônico da construção como art nouveau. O Teatro Alberto Maranhão era originalmente Teatro Carlos Gomes. A atual denominação vem de 1957, ato do Prefeito Djalma Maranhão. Fechado há um bom tempo, ainda assim sua presença empresta solenidade ao espaço onde está situado, no bairro antigo da Ribeira, embora tendo ao lado prédios também tradicionais em estado de abandono e as transformações urbanísticas do entorno ao longo dos anos não tenham concorrido para valorização do sítio histórico.

A edição de 24 de março de 2011 do desaparecido periódico natalense “Novo Jornal” informa que “por seus palcos passaram a cantora lírica Bidú Sayão, a pianista Magdalena Taglafierro, o pianista Arnaldo Cohen, os atores Procópio Ferreira, Jesiel Figueiredo e Paulo Autran, as atrizes Glauce Rocha, Fernanda Montenegro, Bibi Ferreira, Clarice Palma, Eva Wilma, Nathália Timberg e a bailarina Ana Botafogo, entre outros”. Clarice Palma e Jesiel Figueiredo eram norteriograndenses. Este último teve um trabalho intensamente ligado ao TAM em época não muito distante, como ator e diretor, com o teatro adulto ou o infantil nas tardes dos domingos. Pelo palco do velho teatro também fluiu o talento de autores potiguares, como Newton Navarro e Racine Santos. Em um recorte mais recente, dos primeiros anos da década de 70, vimos lá expressivos talentos da música brasileira, como Carlos Lira, Johnny Alf, Zezé Mota, Clementina de Jesus, Beth Carvalho, Baden Powell, Turíbio Santos, João Nogueira, e os dois maiores do show bis brasileiro, Chico Anysio e Jô Soares.

O TAM, espera-se, um dia será restaurado. Também não é a primeira vez que fechou, por necessidades de reformas. Dessa vez impostas por órgãos de controle de segurança o que supõe um alto custo da reforma atual, ante o desafio de adaptação de modernos equipamentos a um prédio antigo. Na última vez que estive lá, apenas alguns gatos dormiam ou passeavam calmamente no pátio largo de sua frente. Um morador de rua fez questão de chamar o responsável pela guarda do prédio, que me disse educadamente que não haveria espetáculo naquela noite. Não houve mais. Até agora.

 

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