Saúde

Médico alerta sobre riscos no uso de hidroxicloroquina contra Covid-19

Cardiologista ressalta que essa medicação e a azitromicina podem aumentar risco de arritmia cardíaca

O uso da hidroxicloroquina para tratar a Covid-19 é desaconselhado por quase toda comunidade médica. Além de a eficácia do medicamento não ser comprovada, os potenciais efeitos colaterais também preocupam. É o que aponta o médico cardiologista Flávio Veras.

Em entrevista ao programa Gilson Cardoso, da FM 105 (Santa Clara) na manhã desta quarta-feira, o cardiologista lembrou que os exames em laboratórios foram bons. Na prática, eles não se confirmaram. “Os exames em humanos mostraram que não há evidente benefício”, ressaltou. Apesar disso, alguns tem insistido na medicação, ao lado de azitromicina, para combater os efeitos da Covid-19. Veras buscou esclarecer sobre o seguinte questionamento: o potencial risco justifica o uso dessas medicações?

O médico aponta que a hidroxicloroquina pode provocar inflamação do músculo cardíaco, dilatação do coração, e arritmias (que aceleram e desaceleram o coração, podendo causar parada cardíaca).

Por conta desses riscos, Flávio Veras afirma que para que os citados medicamentos sejam administrados pacientes com Covid-19 é necessária a adoção de procedimentos de segurança, como por exemplo a realização de exames de eletrocardiograma basal antes que o paciente tome o remédio e avaliação dos fatores associados a desenvolvimento de doenças graves em cada pessoa.

“No eletrocardiogramas buscamos calcular o intervalo QT. Trata-se de uma medida fácil de ser realizada por cardiologistas e que em homens ele tem um QT normal de até 440 milissegundos. Em mulheres é um pouco maior: 460 milissegundos. A partir do momento em que se realiza essa medida e ela é aumentada para além deses valores, o risco de se desenvolver uma arritmia potencialmente grave vai aumentando”, alerta o cardiologista.

Flávio Veras lembra ainda que além do intervalo QT, outros fatores a serem considerados são aqueles intrínsecos a cada pessoa: idade (pessoas acima de 65 anos tem maiores riscos), patologias cardíacas, problemas renais, diabetes, e uso de medicamentos que possam contribuir para aumentar o intervalo QT. “Então, aliando alterações do intervalo QT no eletrocardiograma, fatores intrínsecos de cada um, o médico pode colocar para o paciente se ele tem um risco aumentado ou não de desenvolver arritmias potencialmente graves”, revela.

Ainda de acordo com o cardiologista, o aconselhável é realizar o eletrocardiograma inicial, e administrando-se o uso das medicações, que se repita o exame dois dias depois, buscando-se monitorar o intervalo citado. “Pessoas com menos de 65 anos, com poucas ou sem nenhuma comorbidade, que tenham o intervalo QT normal, o risco de apresentar uma arritmia grave é muito baixo. Do outro lado, pessoas cardiopatas, acima de 65 anos, e que usam drogas como antiarrítmicos esse risco torna-se aumentado”, alerta.

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