Fraquezas, vitórias e certeza

“Tudo posso naquele que me fortalece”, afirmou, com muita sabedoria, fé e resignação o apóstolo Paulo na sua carta ao Filipenses (4:13). Há muitas lições nessa grandiosa afirmação. De todas, uma das que deve nos chamar a atenção de forma especial é a que nos invoca a encarar nossas fraquezas.

Embora o apóstolo nos lembre que em Deus tudo é possível, ainda não aprendemos que isso não significa que não vamos sofrer, passar por dificuldades. Enfrentar intempéries. Viver com obstáculos. Não entender isso é abrir as portas de nossas fraquezas e deixar exposto o que mais nos entristece.

Reconhecer nossa falibilidade talvez seja nossa maior grandeza, onde reside nossa força para as vitorias, passagem para nossas alegrias. Como tudo que nos desafia, devemos pensar sobre o que fazemos com nossa fraqueza. Nos recolhemos, nos diminuímos e deixamos que ela domine o nosso ser ou a reconhecemos, lidamos com ela, compreendendo que ela sempre estará conosco. Mesmo múltiplos, não somos os melhores em tudo.

Precisamos reconhecer nossas virtudes, mas acolher também nossas dificuldades. Enfrentar nossas vulnerabilidades para sabermos até onde é possível ir, como ir e com quem ir.

Quando escondemos nossas fraquezas de nós mesmos pode significar que ainda não tenhamos certeza de quem realmente somos. É necessário, questionar-se, mas não se diminuir; testar-se, mas sem se expor.

Que encaremos a falha não como resultado da nossa suposta falta de esmero ao que fazemos, mas como algo indissociável da condição humana, e que somente encontraremos a perfeição no Pai.

Tenhamos consciência dessa realidade para que ao encerrarmos por aqui nossa passagem não provemos apenas que a matéria voltará ao pó, mas essencialmente para que provemos, como disse Guimarães Rosa, que morremos para provar que vivemos. E que tenhamos vivido de forma plena e abundante.

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