Eleições 2020

Contradições marcam pesquisas realizadas em Mossoró e Apodi

Também chama a atenção que quatro levantamentos que terão números divulgados essa semana tem como contratante as próprias empresas que os realizarão

Mais quatro pesquisas serão divulgadas esta semana. E em todas, o contratante é o próprio instituto que vai realizá-las. Mossoró, com isso, acaba se transformando em uma espécie de laboratório para pequenos institutos que querem ganhar projeção e vislumbrar possibilidades de crescimento em pleitos posteriores.

A ideia que se vende é de autonomia e de distanciamento de grupos políticos. Contudo, se for pensada a tese de que o instituto é uma empresa e, como toda empresa, vislumbra lucro, não faz sentido alguma ser a contratante de si mesma.

Paulo de Tarso, diretor-presidente do instituto Consult, um dos mais conceituados do Rio Grande do Norte, comentou esta realidade durante entrevista na rádio 98 FM, sediada em Natal. E a conversa dele foi repercutida pelo blog Território Livre, que pode ser acessado na plataforma virtual do jornal Tribuna do Norte.

Em sua análise, Paulo de Tarso levantou um questionamento interessante. “Se os Institutos vivem, sobrevivem de vender, de trabalhar com pesquisa por que estão fazendo de graça? Por que um dono de instituto que nunca foi a um município, nem conhece, e vai lá querendo contratar por conta própria?”

E qual seria o interesse de um instituto pagar sua própria pesquisa? Sabe-se, por exemplo, que para uma sondagem ser feita é preciso que o eleitor seja entrevistado. E para isso é preciso de uma, duas ou até três dezenas de pessoas para que se tenha, no mínimo, um resultado coerente e condizente com a verdade.

Essa particularidade, foi o que Paulo de Tarso deixou entender, que se trata de um absurdo. E disse: “E outra coisa, sujam o mercado, faz com que a população não acredite. Além do mais sujam o mercado, faz com que a população não acredite mais em pesquisa, no fim dessa eleição nós vamos ver os desencontros dessas pesquisas que estão sendo divulgadas. Meu desabafo é que esses responsáveis – que não quero nem dizer os nomes que eles merecem – eles somem.”

O certo é que pequenos institutos estão assumindo espaços cada vez maiores e apresentam números que confundem o eleitor. Em vez de clarear, as pesquisas apresentam cenários totalmente diferentes do que se pode imaginar. Em Apodi, por exemplo, o prefeito Alan Silveira (PMDB), segundo pesquisa do instituto Consult, tem maioria de 26% sobre o candidato Agnaldo Fernandes (PT).

Por outro lado, em sondagem feita pelo instituto RF Consultoria & Comunicação, os números são diferentes: Agnaldo está com 48% e Alan Silveira com 42%. É bom frisar que Alan está na campanha de reeleição tem um bom trabalho que o credencia à renovação do mandato.

Em Mossoró, duas pesquisas também apresentam dados conflitantes. E os números foram coletados no mesmo período. Uma divulgada pela ACIM – Associação Comercial e Industrial de Mossoró, e outra pela Rádio Difusora, onde trabalha parte da coordenação de campanha de um dos candidatos. Pelo instituto Sensatus, a prefeita Rosalba Ciarlini (Progressistas), em votos válidos, está com 42,8%, seguida pelo candidato Allyson Bezerra (Solidariedade) com 37,8%. Depois aparecem Isolda Dantas (PT), com 10,1%; Cláudia Regina (Democratas), com 8,2%; Irmã Ceição (PTB) com 0,6% e Professor Ronaldo Garcia (PSOL) com 0,5%.

Pelo Instituto AgoraSei, em votos válidos, Allyson Bezerra está com 50,5%, Rosalba Ciarlini vem com 33,6%, Cláudia Regina com 8,3%, Isolda Dantas com 6,6%, Professor Ronaldo com 0,8% e Irmã Ceição com 0,2%. Números discrepantes demais para uma mesma realidade eleitoral.

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