Contra a covid

Caos em Natal aponta para riscos do uso da ivermectina

Uso do medicamento traz falsa sensação de proteção, situação que pode ter contribuído para colapsar sistema de saúde

O uso da ivermectina como medicamento preventivo à contaminação pelo novo coronavírus, estipulado no país a partir do presidente Jair Bolsonaro, tem causado sérios estragos na rede pública de saúde e colocado a vida das pessoas em risco. A situação de Natal é um exemplo claro.

Além de não ter eficácia contra a doença, o uso do remédio trouxe às pessoas uma falsa sensação de proteção. O resultado disso foi o aumento das internações por causa da doença. A infectologista Marise Reis, do Comitê Científico do Rio Grande do Norte, revelou que 98% das pessoas que estão internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI´s) de hospitais instalados em  solo potiguar, tomaram a ivermectina. Esse dado, por si, já aponta a ineficácia do medicamento como meio profilático. Além disso, a maioria dos médicos condenam o uso do remédio como meio de prevenção e a farmacêutica que produz a medicação já comunicou de forma oficial sua ineficácia contra a Covid.

O aumento das internações de pacientes Covid em leitos críticos  também aponta que prescrever ivermectina é deixar as pessoas ainda mais suscetíveis à contaminação caso não sejam adotadas medidas de biossegurança, como afixação de máscara de proteção sobre a boca e o nariz, uso do álcool em gel e distanciamento social.

Não sem razão, em Natal, cidade em que o prefeito Álvaro Dias (PSDB), que é médico, mas recomenda o uso da ivermectina, o sistema de saúde colapsou. Para salvar vidas, a estratégia tem sido transferir pacientes para o interior.

A região metropolitana de Natal responde por mais de um quarto de todas as internações em leitos críticos registradas no Estado. Das 388 pessoas em UTI´s por causa da Covid no Estado, 107 (27.6%) são daquela região.

A Central de Regulação do Rio Grande do Norte mostra que na manhã desta quarta-feira, 24/2, dos 120 leitos de UTI Covid instalados na rede pública da região metropolitana de Natal, 107 já tem pacientes e os 13 restantes aguardam apenas a regulação para receber mais pessoas infectadas e que estão na fila de espera aguardando uma vaga. O uso da ivermectina, como apontam os dados, não só se mostra ineficaz para combater o novo coronavírus como pode contribuir para superlotar os hospitais públicos que atuam no combate e prevenção á doença.

 

Total de pessoas internadas em UTIs dos hospitais da região de Natal

Hospital de Campanha de Natal – 29  (96,7%)

Hospital Colônia João Machado (Natal) – 25 (87,5%)

Hospital Regional Alfredo Mesquita (Macaíba) – 10  (100%)

Hospital Universitário Onofre Lopes (Natal) – (100%)

Hospital Giselda Trigueiro (Natal) – 25 (92,6%)

Hospital do Divino Amor (Parnamirim) – (100%)

Hospital Maria Alice Fernandes (Natal) – 4  (40%)

(Fonte: Central de Regulação do RN)

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