Silêncio

Allyson Bezerra silencia sobre auxílio emergencial recebido por seu vice, Fernandinho

Em nota publicada em suas redes sociais e enviada à imprensa, o candidato a vice-prefeito de Allyson Bezerra reconheceu que teve o nome envolvido em fraude.

Ainda repercute bastante na cidade a informação de que o candidato a vice-prefeito Fernandinho das Padarias (PSD), companheiro de chapa de Allyson Bezerra (SDD), recebeu R$ 1.800,00 do auxílio emergencial do Governo Federal.

Fernandinho se pronunciou. Afirmou que usaram seus dados pessoais para fraudar o benefício. Tem causado estranheza, no entanto, o silêncio de Alysson Bezerra sobre o assunto. Embora tenha discurso de combate à corrupção, de moralidade com a coisa pública e se dizendo contra privilégios, Allyson se mantém silente.

Mesmo com o pronunciamento de Fernandinho, alguns aspectos chamam a  atenção. É que Fernandinho das Padarias pagou uma Darf, guia de recolhimento de recursos à União, no valor de R$ 3 mil em 29 de setembro deste ano, 17 dias após ser oficializado como nome na chapa de Allyson, estando, portanto, em plena campanha eleitoral.

Levando-se em consideração que para cada mês o Governo Federal repassou R$ 600,00, significa dizer que o candidato a vice-prefeito de Allyson Bezerra recebeu cinco meses do Auxílio Emergencial, tirando assim a vez e o direito de quem realmente precisava da ajuda financeira.

O certo é que o assunto é sério e envolve, além de aspectos morais, questões que se voltam para o campo ético. Para alguém que se apresenta como substituto imediato do prefeito, em caso de vitória, o empresário Fernandinho das Padarias passa um péssimo exemplo para a sociedade: de que é preciso ser capaz de tudo, até de mentir, para se dar bem.

Agora, diante da repercussão negativa do caso, que foi tornado público pelo Tribunal de Contas da União, o candidato a vice-prefeito de Allyson Bezerra quer passar a imagem de que teria feito a coisa certa, pois devolveu o dinheiro que recebeu. Mas devolveu somente porque foi oficializado como nome na chapa, indicado pelo PSD, comandado no Rio Grande do Norte pelo ex-governador Robinson Faria.

Em nota publicada em suas redes sociais e enviada à imprensa, o candidato a vice-prefeito de Allyson Bezerra reconheceu que teve o nome envolvido em fraude. E disse que alguém teria informado seu CPF e o número de uma conta bancária, a qual estava em desuso, para que o Governo Federal pudesse depositar o dinheiro.

O candidato a vice-prefeito de Allyson Bezerra disse que fraudadores utilizaram o documento dele e uma conta bancária inativa. Contudo, pela análise racional da afirmação, percebe-se que não tem lógica. Qual o sentido de alguém pegar o CPF e conta bancária de outra pessoa, fraudar um serviço para que outra pessoa, que não seja o fraudador, seja beneficiado?

E também não cola o que ele deixou subentendido na nota, de que teria sido vítima da fraude pelo fato de ter tido o nome oficializado como candidato a vice-prefeito. Ora, se ele devolveu R$ 3 mil, implica afirmar que o dinheiro começou a ser recebido no mês de maio, que foi quando o Auxílio Emergencial realmente começou a ser pago pelo Governo Federal.

Como se percebe, os esclarecimentos feitos pelo vice-prefeito de Allyson Bezerra apenas o complicam ainda mais e abrem espaço para outros questionamentos. O nome dele apareceu em lista publicada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que fez o confronto das informações passadas pela Justiça Eleitoral com os dados relacionados ao Auxílio Emergencial e chegou a exatos 110 mil empresários, dentre os quais 10 mil eram políticos, que estariam recebendo ilegalmente o auxílio emergencial.

 

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