Parte III Minha Opinião

Teremos que esperar trinta anos? – Parte III

 

Diante da situação caótica que nos avizinha, como reagir?

Defender a conciliação de classes ou negar e denunciar a conciliação de classe como algo nefasto à classe trabalhadora?

A história recente nos mostrou que o projeto de conciliação de classe posto em prática pelo PT e seus aliados falhou, pois o lado forte da aliança – a burguesia industrial – abandonou a coalizão produtivista e caminhou em passos largos para o setor rentista. Assim sendo, as gestões petistas foram incapazes de frear a ambição desenfreada do setor produtivo por mais lucros, que só encontrariam, como de fato encontraram na financeirização do capital industrial. Dessa forma, entre repartir o pão com os pobres e aumentar o consumo de caviar e vinho, os aliados do PT não pensaram duas vezes, ferraram o PT, que por extensão ferrou o trabalhador.

O quadro se alastrou ao ponto de chegarmos ao impeachment da presidente Dilma (PT) e, posteriormente a eleição do ultradireitista Jair Bolsonaro (PSL/agora sem partido).

É um desafio por demais complexo estar diante de um governo neoliberal fascista e ao mesmo tempo olhar para os setores ditos progressistas e não constatar ações pragmáticas, não ver de fato nenhuma ação contundente por parte de gestores agrupados em partidos de esquerda e centro esquerda, sindicatos e centrais que não demonstram capacidade de mobilização – embora saibamos que a tenha.

Diante disso temos dois caminhos a percorrer ou duas frentes de batalhas: o primeiro desafio é recuperar os direitos da classe trabalhadora que vem sendo subtraídos desde a Constituição de 1988 e agravado agora pelo governo Bolsonaro, dentre eles nosso direito de aposentadoria com dignidade, bem como nossos patrimônios entregues ao capital estrangeiro. Nesse cenário, temos as forças de oposição que parecem mais dispostas a esperar as eleições na tentativa de resgatar o poder, sem, contudo, demonstrar disposição em romper com a política neoliberal. O resgate do poder só se dará mediante acordo de manutenção das benesses obtidas pelo mercado.

O outro desafio é a luta pela sobrevivência do movimento sindical. Diante da realidade de ataque à organização sindical, como deverá ser a reação das centrais sindicais, confederações, federações e sindicatos? Manter a tradicional estratégia de mobilização e ocupar os espaços públicos, ruas e praças denunciando os ataques do governo ou criar novas estratégias sem se omitir ao debate junto aos parlamentares apresentando propostas que se contraponham as defendidas pelo governo? A ação deve ser concomitante. As entidades não devem se omitir ao debate, não podem deixar que o governo dite as regras e as formas de organização da classe trabalhadora.

Se a mobilização da categoria parece insuficiente para o enfrentamento, devemos fortalecer as articulações com os setores mais progressistas do Congresso Nacional na defesa dos nossos direitos, mesmo ciente das dificuldades e contradições existentes.

As próximas gerações de trabalhadores e trabalhadoras dependem do esforço conjunto e da capacidade de organização da nossa geração. Vale a pena lutar pelo futuro? Claro, afinal de contas as conquistas de décadas, fruto das lutas de gerações que nos antecederam, estão sendo retiradas. Portanto, não devemos esperar trinta anos. A luta é agora, a reconquista é agora.

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