Situação se apequena diante de uma pequena que se agiganta

Integrei uma das chapas que concorreu, contra a chapa encabeçada por Marleide Cunha, à direção do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (SINDISERPUM). Tiramos menos votos que ela, ganhamos todos. Como jornalista e servidor público, tenho críticas. Soberanamente, as apresento. Respeitosamente, ela apresenta sua discordância. Nessa dialética, civilizadamente, crescemos. Numa democracia, é assim que se age.

Os vereadores que integram a bancada situacionista na Câmara Municipal de Mossoró, insatisfeitos com as ações desenvolvidas pelo SINDISERPUM em contraposição aos votos destes no Legislativo, contrários aos interesses dos servidores, aprovaram, inclusive com manobras sub-reptícias, título de persona non grata à sindicalista Marleide Cunha.

Raivosos, os edis aparentam não ter o equilíbrio necessário para o posto que ocupam. Lançam aleivosias e ameaças ao SINDISERPUM. Querem exigir deste posicionamentos e ações para os quais não estão legitimados.
Aos senhores vereadores, um lembrete: o chanceler do sindicato são os seus associados. Quem legitima as ações dos dirigentes do SINDISERPUM são todos aqueles que por eles são representados. Agravar qualquer um deles é ferir de morte os servidores e servidoras que compõem o quadro do funcionalismo público municipal mossoroense.

Os vereadores que subscreveram a proposição com o título que errônea e inadvertidamente ofereceram a Marleide Cunha terão, a partir de agora, que fazer um trabalho hercúleo para recuperar a imagem de despreparados que esse ato lhes impingiu. Sob pena de encerrarem o mandato sob a égide da esqualidez moral que esse episódio lhes atribui.

Os nobres vereadores signatários dessa tosquice parecem ignorar que vivemos numa democracia. Demonstram desconhecer o que é civilidade. Nesse cenário, fica parecendo que queremos demais que entendam que a organização sindical é um direito humano fundamental. Por consequência, quem a lidera desenvolve um papel crucial na dinâmica das relações sociais e do trabalho. Merece, portanto, todas as honrarias do mundo. Por mais que discordemos de suas posições políticas e ideológicas. Aliás, é da natureza da função pública do cargo em comento reconhecer que sofrer críticas é um dos ônus pelo papel que se exerce. Pelas benesses que se tem. Pelos privilégios que amealha.

Com esse gesto insensato – quiçá até impensado – , os vereadores situacionistas jogaram no limbo da subserviência a grandeza do cargo que exercem em um dos Poderes da República. Se apequenaram diante de uma pequena (na estatura física) que se agiganta.

Espera-se que, passado o rubor da agressão que os citados vereadores acreditam ter sofrido, tenham eles a honradez de voltar atrás. Por mais que achem que esse título a Marleide atribuído lhes glorifique, é a honra de cada um deles que está em questão, porque como ensina Schopenhauer, “a glória deve ser conquistada; a honra, por sua vez, basta que não seja perdida”.

Piso
E a prefeita Rosalba Ciarlini segue insistindo na mentira de que paga um piso do magistério com valor acima da média nacional. Rosalba anuncia que o valor do piso a ser pago pela prefeitura, de 3.539,54 é maior que o do Estado e o nacional. A prefeita, no entanto, não quer, não aceita, não permite que se faça uma conta simples. Esse valor de 2.557,74 é para professores de nível médio, com 40 horas semanais. Considerando que o valor de R$ 3.539,54 é para professores graduados e levando-se em conta que o percentual a ser pago a título de graduação é de 40%, na prática o valor do Piso para professores de nível médio – se a prefeitura tivesse – seria de 2.123,73. Simples assim.

Vagas na UERN
A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte divulga na próxima sexta-feira, 22/3, o edital do Processo Seletivo para Preenchimento de Vagas Não Iniciais (PSVNI). São vagas para retorno de graduado, transferências internas e externas e retorno de ex-aluno. Importante ressaltar que nem sempre há vagas para todas essas modalidades.

Greve docente
Os professores da rede municipal de ensino, em greve desde o dia 8 deste mês, decidiram, em assembleia na última terça-feira, 19/3, seguir com a paralisação por tempo indeterminado. Os docentes querem o restante do percentual de reajuste do Piso e o respeito ao plano de cargo, carreiras e salários, bem como reposição de perdas salariais para outras categorias, como agentes de saúde e de endemias.

Busca de diálogo
Ao passo em que o movimento grevista ganha força, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (SINDISERPUM), num ato de urbanidade, segue buscando diálogo com a prefeita Rosalba Ciarlini. Hoje, mais um ofício foi protocolado na prefeitura pedindo audiência para negociar.

Mau exemplo
Vem de Baraúna o mau exemplo. Lá a prefeita Lúcia Nascimento está há 3 anos sem conceder o reajuste do Piso do Magistério aos professores. A categoria fará uma parada de advertência no próximo dia 27. Uma chefe do Executivo municipal descumpre uma lei federal e fica por isso mesmo. Coisas do Brasil.

 

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