Crônica

SALINAS

O epíteto “terra do sal” explicaria para quem chegasse hoje por essas bandas a importância que tem, aqui, o tema das salinas, ao qual voltamos agora pela sua dimensão, incomparável com a deste espaço. Já nos referimos ao sindicado dos trabalhadores.

Tem razão quem pensar que o título decorre de a cidade ser a maior de uma região que abrange vários municípios produtores de sal e, também, sediar muitas das empresas salineiras. Mas, não é só por isso. As salinas mossoroenses sempre foram importantes.  A região salineira estende-se de Galinhos, no Rio Grande do Norte, a Aracati, no Ceará. A concentração, entretanto, está entre Macau a Grossos, com Porto do Mangue e Areia Branca no meio do caminho, todas estas chamadas também de terra do sal.

A maioria das salinas no RN tinham, antes, a dimensão hoje considerada porte médio e algumas estavam no território mossoroense, como Pitulica, Jurema, São Raimundo, Camboinha e Guanabara, as duas primeiras pertencentes à empresa de Miguel Faustino do Monte. No início dos anos 60 Pitulica e Jurema praticamente desapareceram. Conta-se que herdeiros de Miguel Faustino teriam tentado modernizar a produção, confiando a tarefa a engenheiros químicos sem experiência na atividade salineira. O projeto, que desconsiderava o conhecimento nativo que até então produzira sal naquele local, teria inviabilizado essa produção. Desconheço com precisão o fato, que aqui vai na versão que circulava entre os salineiros.

O acesso a essas salinas se dava por estrada de terra através das várzeas de areia fina entre Mossoró e Grossos, começando nas Barrocas e passando pelas Cajazeiras, Porto Santo Antonio, Ema e Pau D’arco. Logo após, o acesso ao paredão da Pitulica, por onde se prosseguia em direção oeste até a salina, propriamente, à beira do Rio Mossoró. As águas do mar misturadas às do rio em toda extensão à jusante da barragem de Passagem de Pedras, possibilitavam a obtenção do sal. Para o norte, ao longo da margem do rio, chegava-se às demais salinas, até encontrar a Caenga, já em Grossos.

O modo de trabalho, nos anos 50, já passara pelo falado “tempo do balaio”, quando esses cestos eram usados no transporte do produto, do baldo (tanques) aos serrotes (morros de sal), serviço agora feito nos “carros de mão”. De tecnologia, a única eram os velhos moinhos cata-ventos usados no bombeamento das águas salgadas, do rio para dentro dos “cercos”, ao som do canto de suas hélices, açoitadas pelo forte vento nordeste, energia barata e limpa, quando nem de longe se imaginava a importância que isso teria.

PS: O endereço de Raimundo Sacristão (“As Festas de Raimundo Sacristão” – 21.03.2021), era entre as ruas Venceslau Bras e Mal. Hermes, e não entre esta e a Alberto Maranhão, como escrevemos. Correção feita pelos nossos irmãos Haida e Ricardo. Nossas desculpas.

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