RURAL ÀS SUAS ORDENS

O título acima identificava um programa que, na verdade, eram dois: “Mensagens Musicais” e “Notas e Avisos”, apresentados diariamente a partir das 13horas. O primeiro era uma tradição no rádio de Mossoró, pessoas oferecendo músicas a outras pessoas pelos mais diversos motivos: aniversários, casamentos, nascimentos, partidas de viagens, chegadas de viagens e até promoção no emprego. Era um serviço pago. Um pequeno valor por cada oferecimento. O segundo era uma espécie de correio de mão única, avisos, recados, informações sobre eventos, notas de utilidade pública, achados e perdidos, solicitações diversas, de pessoas particulares ou de instituições. Esse serviço já existia em outras emissoras, porém como notas isoladas, dentro da programação normal. A Rádio Rural instituiu um horário exclusivo, concentrando os “avisos”, um programa especializado no tema, com duração de 30 minutos ou mais, algo monótono pela repetição de notas, diferente da dinâmica usual de uma programação de rádio.

Na abertura e encerramento do programa soava familiar ao ouvinte a música Arlequim de Toledo, que tinha uma introdução longa em que toda melodia era desenvolvida pela orquestra antes do canto da letra na voz de Ângela Maria. O momento musical do programa fazia parte das festas simples que as pessoas realizavam em casa a propósito das comemorações aludidas acima ou de outras e até ensejavam as danças, geralmente entre os próprios familiares. Alegria proporcionada por algo que, hoje, fora daquele contexto de ambiente e época, poderia ser avaliado por alguém como muito pouco, como se um sonho, por mais simples, não seja sempre um sonho.

Por outro lado, o programa “Notas e Avisos” tinha audiência garantida, principalmente na zona rural de Mossoró e municípios no alcance das ondas médias da emissora. Era importante, especialmente nas comunicações familiares, para pessoas que moravam ou estavam em Mossoró e tinham parentes nesses outros lugares.

O folclore é vasto em torno desses avisos, especialmente os transmitidos pelo locutor Manoel Alves, o conhecido “Seu Mané”. Não há registro para se saber se alguns ocorreram exatamente como se conta. Como na política, o que fica é a versão, que pode até coincidir com o fato. O certo é que algumas situações peculiares ocorreram com esses “avisos” até em decorrência de que muitas das notas divulgadas chegavam com o programa no ar. E eram encaminhadas com a redação original para um locutor que, sem perder o ritmo, tinha que lidar inclusive com caligrafias de difícil compreensão.

 

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