Revista apreende facas, celulares e rádio transmissor em presídio de Manaus

A Operação Chaw'pã II, que significa “limpeza” na língua indígena do povo hupda do Alto Rio Negro, foi realizada nos quatro pavilhões do Compaj que abrigam 1.031 internos.



Uma operação de revista realizada hoje (6) no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, apreendeu dois rádios transmissores, 27 aparelhos celulares, 45 barras de ferro, 46 facas, 11 facões e 21 estoques, que são facas feitas de forma artesanal.
A varredura foi feita por órgãos de segurança do estado e militares das Forças Armadas. Segundo o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, ainda é um desafio impedir a entrada desses objetos no presídio.

“Nós estamos anunciando aqui que nós estamos pegando (os objetos). A população pode ficar tranquila que nós estamos pegando. Mas como entra? Se eu soubesse como entra, não entrava mais porque a gente teria evitado. Certamente é a corrupção, certamente as famílias dos presos. Nós ainda não temos todos os instrumentos necessários para fazer com que isso cesse. Nós estamos num dilema diário. Não podemos fazer revista pessoal porque é intimidatória e a pessoa se aproveita disso pra colocar para dentro o que deve e o que não deve”, disse Fontes.

O secretário alegou ainda que faltam equipamentos que reforcem a revista para entrada de pessoas nas penitenciárias. “Nó precisamos ainda de todos os equipamentos necessários para fazer com que a tecnologia nos permita, cumprindo as normas nacionais e internacionais e de direitos humanos, evitar que entrem. Enquanto não temos esses equipamentos, nós fazemos buscas constantes, sozinhos e com o apoio do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, como agora”, acrescentou o secretário.

De acordo com Sérgio Fontes, os detentos do Compaj tentaram reagir durante a revista, mas foram contidos pelos militares que chegaram a usar balas de borracha. Mais de 30 presos ficaram feridos sem gravidade. “Infelizmente nós tivemos um incidente desse tipo. Os presos, apesar de estar ali uma grande quantidade de policiais, demonstraram a intenção de reagir, de não obedecer às ordens. Inclusive, nas filmagens eles mandam os outros levantarem, numa nítida ação de enfrentamento às forças de segurança. Foi necessária a utilização de força proporcional, alguns se machucaram, mas ninguém morreu. Isso vai ser investigado, quem causou e quem desobedeceu vai ser responsabilizado e, eventualmente, se houve algum excesso, também vai haver responsabilização”, ressaltou Fontes.

A revista recebeu o nome de Operação Chaw’pã II, que significa “limpeza” na língua indígena do povo hupda do Alto Rio Negro. A ação foi realizada nos quatro pavilhões do Compaj que abrigam 1.031 internos. O Exército disponibilizou 580 militares e utilizou equipamentos de alta tecnologia na inspeção.

“Nós empregamos uma parte com detecção com animais de faro para explosivos e para drogas e também detectores eletrônicos para identificação de diversos materiais. A gente recebeu uma determinação da Presidência da República para que fossem feitos esforços conjuntos com os órgãos de segurança no sentido de realizar essas vistorias, as detecções desses itens, a identificação, localização e coleta desses itens para posterior investigação da Polícia Civil”, explicou o tenente-coronel Sérgio Oliveira, do Comando Militar da Amazônia (CMA).

 

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