IFRN

Reitor pró tempore vai nomear militar para sua equipe

Josué Moreira fez anúncio ontem durante reunião do Colégio de Dirigentes do órgão

O ainda reitor pró tempore do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) professor Josué Moreira vai nomear um militar para compor a equipe de pró-reitores da instituição.

O anúncio foi feito pelo próprio Josué Moreira durante reunião do Colégio de Dirigentes (Codir) do IFRN, ocorrida ontem, 5/5.

O IFRN está com 4 das 5 pró-reitorias sem titular. Além disso, das 3 diretorias sistêmicas, 1 está vazia. Todos esses cargos haviam sido preenchidos por pessoas nomeadas pelo reitor pró tempore, mas elas pediram exoneração após pressão popular, pois Josué Moreira foi nomeado reitor sem sequer ter participado das eleições realizadas pelo órgão em dezembro passado. A Justiça Federal suspendeu a nomeação de Josué Moreira e determiniu a posse do reitor eleitor José Arnóbio Filho (ver matéria aqui).

O reitor pró tempore informou que esses cargos serão ocupados por pessoas que virão de Brasília e Tocantins e que um militar da Aeronáutica será nomeado para conduzir a Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (Propi).

Josué Moreira relatou na reunião que já tem a nova equipe completa, mas não nomeou ainda por estar buscando calma nas suas ações.

Veja abaixo relato completo da reunião do Codir:

O Colégio de Dirigentes do IFRN (Codir) se reuniu hoje (5), de forma online, com a presidência do reitor-pro tempore do Instituto, professor Josué Moreira. Na pauta, a discussão de temas relevantes para a comunidade acadêmica do IFRN, como a repartição de recursos oriundos de emendas parlamentares (recursos destinados ao Instituto por deputados, senadores e bancada parlamentar).

Uma das proposições para votação era a distribuição do recurso de R$ 400 mil reais, destinado à assistência estudantil do Campus Natal-Central do IFRN, pela deputada federal Natália Bonavides, entre todos os campi. A distribuição seria feita conforme a distribuição de matrículas, procedimento padrão na Instituição. No entanto, o pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional (Prodes), professor José Ribeiro, comentou que não tinha conhecimento sobre o teor da pauta e solicitou as vistas de processo.

O diretor-geral pro-tempore do Campus Currais Novos, professor Andreilson Oliveira, explicou que as informações são responsabilidade da Pró-Reitoria pela qual ele responde e da Pró-Reitoria de Administração.

Os diretores-gerais alertaram sobre a necessidade da tomada de decisão de forma urgente, uma vez que os recursos têm um prazo de até 28 de junho para serem empenhados (ação administrativa que garante o pagamento às empresas ou serviços contratados).

Diante do impasse, foi solicitada a participação do procurador jurídico do IFRN, Thiago Nóbrega. O procurador explicou que o Codir é um órgão colegiado consultivo. Como tal, os seus componentes são conselheiros, mas as decisões tomadas são de inteira responsabilidade do presidente, neste caso, o reitor pro-tempore.

A diretora-geral pro-tempore do Campus São Gonçalo do Amarante, Marilac de Castro, destacou que o Codir sempre atuou em regime de colaboração. “Colocamos na mesa todas as informações, trazidas pelas Pró-Reitorias de Administração e de Planejamento, respeitando as especificidades e necessidades de cada campus para a tomada de decisão. Gostaria de sensibilizá-lo sobre os riscos desse ponto ficar travado e não conseguirmos executar o recurso, precisando devolvê-lo. Destaco que isso nunca aconteceu nesta Instituição”, afirmou a diretora. A decisão foi adiada para uma data futura.

Os pontos 2 e 3, “Apresentação da nova divisão do recurso da emenda de bancada” e “Plano de ação 2020: recursos da Assistência Estudantil”, respectivamente, também foram encaminhados para vistas de processo.

Outro tema debatido na reunião foi a aquisição de alimentos não perecíveis para serem doados aos estudantes em vulnerabilidade social. O diretor-geral pro-tempore do Campus São Paulo do Potengi, professor Renato Dantas, solicitou agilidade nas descentralizações de recursos para os campi e o envio de esclarecimentos sobre outras ações pelo Diretor de Gestão de Atividades Estudantis, professor Samuel Gomes, que integra o Codir, mas não participou nem enviou representante à reunião.

NOMEAÇÃO E EQUIPE

Sobre o ponto 5, “Situação da nomeação do reitor eleito”, o diretor Andreilson questionou se o Ofício deferido pelo Consup havia sido enviado à comissão de sindicância da qual participa o professor José de Arnóbio de Araújo Filho, com o pedido de reabertura do processo, como também a resposta da Reitoria ao MPF sobre o pedido de informações sobre a nomeação do reitor eleito. Josué solicitou que o diretor enviasse a solicitação à Procuradoria Jurídica. O reitor pro-tempore explicou que poderia solicitar uma reunião ao MEC para esclarecimentos sobre a situação do IFRN. “Sou uma peça desse processo, mas não respondo por ele”, declarou.

Em relação ao ponto 6, “Equipe de gestão atual da Reitoria”, Josué comentou que já tem a equipe completa, mas não nomeou ainda por estar buscando calma nas suas ações. Ele citou que os servidores antes nomeados solicitaram exoneração em razão da pressão sofrida e pela turbulência institucional. O professor declarou que está aguardando a chegada de reforços de Brasília, Tocantins e uma pessoa da Aeronáutica para conduzir a Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (Propi).

O diretor-geral pro-tempore do Campus Parnamirim, Paulo Vitor Silva, informou que circula entre a sociedade mais de 150 notas de repúdio contra a nomeação pro-tempore pelo MEC. “Não é uma briga de Arnóbio. É uma reivindicação de estudantes, servidores e entidades que estão se indignando com essa situação temporária. Esperamos que se resolva logo”, frisou.

Um dos questionamentos do reitor pro-tempore na reunião disse respeito à publicação de notícia no site do IFRN sobre a última reunião realizada pelo Conselho Superior (Consup). O diretor-geral pro-tempore do Campus Canguaretama, Flávio Ferreira, que também ocupa o cargo de conselheiro no Consup, explicou: “os servidores estão trabalhando para dar publicidade aos atos institucionais”.

Questionado sobre o funcionamento da Instituição, que no momento encontra-se com cargos vazios em 4 das 5 pró-reitorias existentes e em 1 das 3 diretorias sistêmicas, somando cerca de 30 cargos de gestão vagos nos setores vinculados, o professor Josué citou que o IFRN funciona como uma máquina, de forma praticamente automática e que as solicitações enviadas pelos campi estão sendo analisadas e encaminhadas por ele e pelo pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional.

RETORNO ÀS AULAS – O reitor pro-tempore demonstrou preocupação com o atendimento aos estudantes e

com as medidas de retorno às atividades presenciais e às aulas. Ele declarou sua intenção de buscar o retorno de forma online, através das Tecnologias de Informação e Comunicação. Os diretores-gerais lembraram a realidade socioeconômica dos estudantes, que impede a aplicação de tais Tecnologias. De acordo com o questionário socioeconômico respondido pelos estudantes no momento da matrícula, aproximadamente 64% afirmam não possuir computador de mesa (desktop) em casa, enquanto 43% afirmam que não possuem notebook. Além disso, 36% deles afirmam não ter acesso à internet diariamente.

O reitor pro-tempore informou que está fazendo um levantamento, junto com a equipe da Diretoria de Gestão de Tecnologia da Informação (DIGTI), para apresentar uma proposta de retorno online.

“Sinceramente, do fundo do meu coração, a minha preocupação é que nossos alunos não tenham um prejuízo tão grande”, declarou Josué. O diretor-geral pro-tempore do Campus Natal-Zona Leste, José Roberto, explicou ainda que, para implementar aulas dessa forma, são necessárias capacitação de servidores e elaboração de material didático próprio, o que leva tempo.

Notícias semelhantes
Comentários
Loading...