Crônica

PROPAGANDA VOLANTE

Esse tipo de divulgação continua. O que acabou foram algumas formas como era feita comumente, aqui e em outras cidades semelhantes. Referimo-nos àquela propaganda com um amplificador de som colocado no alto de um veículo, que percorre ruas e avenidas divulgando lojas comerciais. Aqui, quem mais usava esse meio eram lojas de tecidos, especialmente Armazém Caxias, Armazém do Povo, Armazém Nova América e Lojas Paulista. Nenhum deles existe mais. Exceto o Armazém do Povo, os demais ficavam na Pça. Rodolpho Fernandes. O Armazém Caxias onde, depois, funcionou, o Narciso.

Diferentemente de hoje, não havia em Mossoró empresas especializadas nesse tipo de negócio, com estrutura grande e permanente. Depois, algumas começaram a se especializar. No início, pessoas físicas exerciam a função, às vezes de modo alternado com outras atividades. Feito o contrato com a casa de comércio, alugavam um “carro de praça” (como o Ford Prefect, de Gatinho), montavam a estrutura com mesa de som e uma bateria na parte interna e o alto-falante atrelado ao teto do carro, e saiam, motorista e locutor, pelas ruas dos bairros, todos, então, próximo ao centro da cidade.

Geralmente esse passeio era feito à tarde, principalmente aos domingos. A operação incluía obrigatoriamente a panfletagem, e os panfletos jogados aos montes pela porta do carro, aos cuidados do Vento Nordeste, revoavam pelas ruas de areia fazendo a alegria dos meninos que, de modo inseguro, corriam atrás do carro para pegar a maior quantidade possível, como se fossem troféus, que, de resto, não serviam para nada, exceto, talvez, para lhes dar alguma sensação de importância quando, aqui e acolá, alguém interessado em ler o que estava sendo anunciado, pedia um exemplar. Entretanto, para a loja, o panfleto era essencial, pois a amplificadora no alto do veículo, com um som metálico e rouco, e se o vento soprava forte, dava pouca chance de se entender o que falava o locutor. Eram tempos distantes dos atuais equipamentos eletrônicos de som límpido e de boa qualidade.

Esses panfletos certamente eram feitos na Gráfica Nordeste, de Francisquinho Vasconcelos, Editora Comercial, que era parte do complexo empresarial Rádio Difusora e Cine Caiçara e ficava no mesmo prédio, gráfica do Jornal O Mossoroense, Gráfica Massilon ou outra das existentes à época.  Com linotipos e pelas mãos de tantos profissionais, que no dia a dia desempenhavam seu trabalho, tocavam sua vida e faziam, como outras pessoas faziam e hoje continuam a fazer, a história comum da cidade.

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