Prefeita quer fim da greve com autoritarismo vergonhoso

Desde 8 de março, quando teve início a greve dos professores da rede municipal de ensino de Mossoró, a prefeita da cidade, Rosalba Ciarlini, não aceitou negociar um sói momento. Além de não procurar dialogar, recusou todas as tentativas feitas pelos grevistas, por meio do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (SINDISERPUM).

Lamentável sob todos os aspectos. Embora os trabalhadores queiram ouvir um sim da prefeita às suas reivindicações, Rosalba não se digna sequer a dizer não. Prefere mandar recado por setores da imprensa sob seu controle. Ou, de forma mentirosa, usar a mídia oficial da prefeitura para dizer que paga acima do piso, que a greve tem pouca adesão e que valoriza a educação.

A mais recente cartada da prefeita é um misto de intransigência e autoritarismo. Ela anunciou, em vídeo institucional, que vai “cortar” o ponto dos professores. Na prática, isso teria como implicação desconto nos salários dos grevistas.

O que tem de risco na estratégia tem de ridicularidade. Ora, por lei, professores precisam cumprir 200 dias letivos. Se o ponto for “cortado”, eles se desobrigam de ter que cumprir essa carga horária. Ocorre, que os estudantes não podem ficar sem as 800 horas anuais de atividades letivas de sala de aula. Para cumprir sua ameaça – que Rosalba sabe, não terá como efetivá-la – a prefeita teria que contratar professores para dar as aulas que não forem repostas pelos grevistas. Uma missão hercúlea. É bom que se frise que a prefeita não tem conseguido fazer nem o simples.

Uma greve duradoura tende, por sua natureza, ir arrefecendo, perdendo fôlego. No caso da paralisação dos professores de Mossoró, quem mais tem oferecido combustível para que o movimento pegue fogo (no bom sentido) é a própria Rosalba. De vergonha em vergonha, ela tem dado aos grevistas motivos para continuar com a greve, que é justa, digna e legal.

Uma verdade
“Não nasci para ser presidente”, disse Bolsonaro. Pela primeira vez vou concordar com ele. Aliás, não acredito que haja, hoje, alguém, em sã consciência, que veja nesse senhor condições éticas, morais, cognitivas e políticas para ser o nosso chefe de governo. Chefe de Estado ele nunca vai ser.

Carreata pela educação
Coberta de êxito a manifestação que os professores municipais de Mossoró fizeram na tarde desta sexta-feira, 5/4. Os grevistas organizaram a Carreata pela Educação, que desceu a avenida Presidente Dutra e seguiu até as ruas do centro da cidade, Santo Antônio e Paredões. Ato de protesto e de cidadania. Enquanto os professores estão nas ruas exigindo seus direitos, a prefeita se esconde e manda ameaças.

Abandono e destruição
Um dos marcos da história da cidade, a Praça dos Seresteiros, localizada próximo à sede da FM 93.7 é o retrato do abandono. Bancos quebrados, mato alto e sujeira.

Fraude na Caixa
Corre, em segredo, investigação para apurar, no âmbito de pelo menos duas agências da Caixa Econômica Federal em Mossoró, fraude em pagamentos de Requisição de Pequeno Valor (RPV). Em um dos casos recentes, o rombo descoberto é superior a R$ 200 mil.

Obsessão por acabar
O atual presidente do Brasil tem uma verdadeira obsessão por destruir. Ele ainda não anunciou um projeto sequer, mas já acabou ou pretende acabar com o Mais Médicos, Ciências Sem Fronteiras, FIES, ENEM, Minha Casa, Minha Vida, ministérios, aposentadoria dos trabalhadores, radares eletrônicos. Até o horário de verão deverá ter fim. Oh homem para gostar de acabar.

Mau exemplo
O dessa semana vem da cidade de Luís Gomes. Lá, a prefeita Mariana Fernandes se precipitou e, num ato inconstitucional e antissindical, certamente orientada por sua assessoria, publicou Decreto 188, de 02 de abril de 2019, suspendendo “todo e qualquer desconto em Folha de Pagamento relativo a contribuição sindical de qualquer natureza” que atualmente é realizado por autorização do servidor. Na prática, a prefeita quer substituir, com essa medida, a vontade soberana do servidor.

 

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