Crônica

OUTROS ASPECTOS RELATIVOS À PRIMEIRA TV EM MOSSORÓ

Há, a nosso ver, três observações relativas à primeira TV que chega em Mossoró que, entre outras, poderiam ser feitas a propósito de um retrato 3 x 4 do momento em que isso acontece. Elas se relacionam ao veículo em si e aos impactos nos hábitos e costumes da cidade.

No primeiro caso, referimo-nos às dificuldades decorrentes do aprender com a prática. Na busca por um padrão compatível com a nova plataforma, a criatividade atenuava limitações, mas não eram incomuns os arranjos dentro de uma programação que ia das primeiras horas de manhã a pouco depois da meia-noite. Documentários eram usados para preencher espaços entre programas ou substituí-los. Uma conhecida série desses filmes denominada “informe científico” era muito usada para esse fim. Em outras ocasiões, esses espaços eram simplesmente ocupados por um banner com a imagem do indiozinho, símbolo da emissora, sobre um fundo musical, pelo tempo necessário à resolução do problema. A música “mamy blue” ainda está nos ouvidos de quem, na época, não tinha opção de mudar de canal.

O segundo aspecto diz respeito ao consumo. A influência do comércio de Fortaleza, que já existia pela óbvia razão de sua dimensão em relação ao de Mossoró, passa a ser massificada pela associação ao nosso cotidiano de nomes como Samasa, Lojas Camelo, Ocapana, Roncy, Mesbla (que também tinha uma loja aqui, mas bem  menor), Mercantil São José, Gerardo Bastos, Mafisa e os já conhecidos produtos da M Dias Branco, entre outros.

A última observação é sobre os costumes. A integração e difusão de culturas e costumes se faz de muitos modos. Viagens, literatura, cinema, rádio, eram os mais relevantes à época. Mas, a televisão chega como nova e forte influência nesse sentido. Formadores de opinião, shows, artistas, e especialmente telenovelas, são os indutores nesse processo e as redes nacionais a mecânica que promove a prevalência dos centros geradores (Estados do Sudeste) sobre receptores (os demais). Um fato significativo ocorre justamente naquele momento. As novelas, então uma espécie de teleteatro, adaptações de romances clássicos da literatura mundial e brasileira, muda totalmente para roteiros tirados do cotidiano brasileiro. A produção da Tupi “Beto Rockfeller” faz essa mudança, um sucesso que projeta os novos atores Luiz Gustavo, Beth Mendes e Débora Duarte, ao lado dos veteranos Walter Foster, Maria Della Costa e Jofre Soares e inaugura uma era de difusão de falas, hábitos e usos de um Brasil das metrópoles, que chegam com naturalidade e instantaneidade a todos os cantos do país.

 

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