O sofrimento dos frentistas

O preço dos combustíveis, especialmente da gasolina, está muito elevado. Fato. Os valores cobrados por esses produtos tem aumentado quase toda semana. Fato. As razões para o aumento estão na política estabelecida pelo governo federal, que estabeleceu que os valores dos combustíveis devem ter como referência os preços de paridade de importação (PPI), ou seja, acompanham as variações do produto no mercado internacional e da taxa de câmbio. As variações no mercado internacional, sabemos, acompanham a cotação do dólar. Para que esses aumentos não se tornem ainda mais corriqueiros, bastaria que o governo mudasse essa política de preços, como ocorria antigamente, época, por exemplo, em que a gasolina custava pouco mais de R$ 2,00 o litro. Para que haja essa mudança é preciso pressão popular sobre o governo. Em Mossoró, tem ocorrido muita pressão, mas – pasmem – contra os frentistas. São aterradores os relatos. Tem gente que toma as bombas de abastecimento das mãos dos frentistas para ver se ficou alguma mínima quantidade do produto. Reclamam aos frentistas dos valores cobrados. Até os xingam por isso. Muitas vezes os acusam de que o valor que aparece no display da bomba não corresponde à quantidade do produto posto no tanque. Apesar de saber que os frentistas não tem nenhuma culpa na situação, canalizam toda a sua raiva contra esses profissionais. Não é pela incapacidade de raciocinar sobre quem  é o culpado. A corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

 

MENOS A VERDADE

Num bairro periférico de Mossoró, um microempreendedor separou-se da mulher e não teve mais como arcar com o pagamento de dois aluguéis: da casa onde passou a morar e do imóvel onde abrigava seu negócio. Resultado: fechou o ponto. O problema é que colocou placa criticando o governo pelo fechamento. Se a moda pega.

 

MENOS A VERDADE II

No Alto de São Manoel, um empreendimento recebeu multa vultosa por ter sido flagrado um gato no sistema de fornecimento de água. Também fechou por conta disso. O dono também culpou o governo.

 

FALTA DE EMPREGO

O governo brasileiro fez a Reforma Trabalhista vendendo o discurso de que iria gerar milhões de empregos. Pura balela. Desempregada, grande parcela da população começou “a se virar” do jeito que pode. Começaram a chamar o vendedor de tapioca, o entregador de pizza e a costureira, para ficar apenas nesses exemplos, de empreendedores, estratégia para romantizar a miséria.

 

FALTA DE EMPREGO II

Nessa lógica romântica, o empreendedorismo nos trará de volta o escambo. Ora, se todo mundo vende, não há quem compre. A saída será as trocas entre os vendedores.

 

DILEMA DO LOCKDOWN

Lockdown não é fácil para ninguém. Nem para quem toma a decisão e muito menos para quem tem que cumpri-la. A grande questão é que tem se feito de forma aparente. Quanto mais se demorar a fazer e quanto mais se descumprir, mas haverá necessidade de fazê-lo.

 

CASO DE UBERLÃNDIA

A cidade mineira de Uberlãndia tinha, até julho do ano passado, 200 mortes causadas pela Covid. O prefeito Odelmo Leão (PP) estabeleceu como medida para combate a pandemia a distribuição gratuita de cloroquina e ivermectina. Além disso, flexibilizou o isolamento social e deu pouca importância ao uso da máscara de proteção facial. Com isso, o número de óbitos explodiu.

 

CASO DE UBERLÂNDIA II

No mês de dezembro de 2020, foram registradas 27 mortes pela doença. Em janeiro, foram 76, e em fevereiro 257. Até o final do mês passado, 1 074 pessoas tinham perdido a batalha contra a doença desde o início da pandemia. Nos 12 primeiros dias desse mês, foram 284 mortes. Não dá para brincar com vidas.

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