O limite da crítica é a sensatez

Vivemos a era dos extremos. Apesar dessa assertiva ser uma verdade, é preciso questioná-la. Precisamos voltar aos tempos do bom senso. No que se refere à exposição de opiniões, especialmente, é necessário que o filtro, a régua, a peneira voltem a ser utilizados. Sim, ninguém pode dizer tudo. Muito menos do jeito que quiser. Tudo o que é necessário ser dito o deve, mas na hora certa, do jeito certo e, sobretudo, com respeito.

Recorro, aqui, à celeuma (mais uma) criada em torno de nota (desrespeitosa, frise-se) escrita por um blogueiro de Natal referindo-se aos professores da rede estadual de ensino. Desarrazoada na origem e despropositada no intento – de atingir o Governo do Estado -, como sempre o blogueiro tem feito, o pequeno texto saiu do campo da liberdade de expressão para o achincalhe público. Da suposta necessidade de informar para difamação explícita. Mais que isso: feriu os docentes e machucou os alunos, a quem classificou como “chatos”.

A qualquer um de nós, jornalistas, poderá caber a tarefa de fazer a crítica sobre algo que não seja do nosso domínio. É impossível que todos nós nos graduemos em todas as áreas do conhecimento para falar de cátedra sobre algo. Mas é nossa obrigação, no mínimo, buscar informações que nos permitam emitir algum juízo de valor. Fazer a crítica sem o conhecimento mínimo é errar duas vezes. Pela falta de fundamento e pela desídia.

O tal blogueiro, mesmo o respeitando, não citarei seu nome porque pelo que tenho conhecimento das coisas sobre as quais escreve, não demonstrou ainda um nível de civilidade que o credencia a ser chamado para um debate.

As aleivosias direcionadas a ativistas, como Greta Thunberg, e à memória de gente de luta, como Mariele Franco, o deveriam colocar no limbo. Inacreditavelmente, esse mesmo ser é financiado com dinheiro público de prefeituras (Parnamirim, Ceará-Mirim e Mossoró) e da Assembleia Legislativa, por exemplo.

Não, o que ele faz não é jornalismo. Classifiquem-no como quiser, mas não o coloquem no mesmo panteão de grandes nomes da escrita potiguar. Toda crítica pode ser feita. O limite quem estabelece é a sensatez. Carregar nas tintas para ganhar leitores – e amealhar recursos públicos -, é insensatez. Exacerbar nesse ponto é quase sempre cometer crime.

ENTRADAS FECHADAS

Encerrou no último dia 31 de maio o lockdown na cidade de Itaú. Os resultados foram os melhores possíveis. Dos 14 pessoas que testaram positivo para a Covid-19, todas estão recuperadas. Para manter o controle, a prefeitura mantém as três entradas da cidade fechadas e com fiscalização rigorosa para controlar o fluxo de entrada.

DINHEIRO PARA ÓDIO

O Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Norte (CEE/RN), e os Conselhos Municipais de Educação de Parnamirim, Ceará e Mossoró deveriam lançar nota de repúdio contra o blogueiro que desrespeitou os professores da rede estadual de ensino (muitos também em atuação nas redes municipais dessas cidades) e exigir que os prefeitos desses municípios deixem de direcionar recursos públicos para o desrespeitoso blogueiro.

ASSEMBLEIA SILENTE

A Comissão de Educação, Ciências e Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Social da Assembleia Legislativa também deveria se pronunciar. Os deputados Francisco do PT (presidente), Hermano Morais (vice-presidente) e Eudiane Macedo devem, no mínimo, questionar a presidência daquele poder sobre a aplicação desse dinheiro. A não ser que concordem com o disparatado blogueiro e sua recorrente falta de civilidade.

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