Pandemia

Número de doentes de covid cresce e faltam medicamentos essenciais em Mossoró

Indústrias farmacêuticas podem não estar conseguindo acompanhar o crescimento da doença

O aumento no número de casos de covid em Mossoró, segunda maior cidade do Rio Grande do norte, vem causando transtornos no sistema de saúde. Os dados mostram que o número de leitos clínicos e de terapia intensiva é insuficiente para atender a grande demanda.  Além da falta de leitos, outro problema vem agravando ainda mais a situação da pandemia no município. A falta de medicamentos essenciais, principalmente para os pacientes submetidos ao processo de intubação.

Um exemplo desse problema vem sendo exposto pelo Hospital São Luiz, onde já existe uma escassez de medicamentos como anestésicos e relaxantes musculares. Segundo informações divulgadas pela interventora do hospital, Lariza Queiroz, durante entrevista para uma rede de tv local, o problema da falta de medicamentos vem acontecendo porque as indústrias farmacêuticas não estão conseguindo acompanhar a demanda.

Segundo Lariza, o hospital vem orientando os familiares de pacientes a tentarem conseguir a medicação com familiares de pacientes de covid que adquiriram esses remédios em quantidade e que não utilizaram tudo. Ainda de Acordo com Lariza, o hospital São Luiz, dispõe de recursos financeiros para a compra de anestésicos e relaxantes que estão em pequena quantidade na unidade, porém, não está conseguindo formalizar os pedidos junto aos distribuidores.

CAMPANHA

O problema enfrentado pelos pacientes é demonstrado de covid do São Luiz, vem sendo exposto pela família do gerente de hotel, Karlo Scheneider, que está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Luiz. Scheneider está intubado e a os familiares dele estão realizando uma campanha na internet com o objetivo de arrecadar fundos para a compra de sedativo (anestésico) e relaxante muscular para o paciente.

A família de scheneider diz estar muito preocupada com a escassez dos medicamentos. Eles contam que já conseguiram comprar alguns dos medicamentos, porém, a quantidade é insuficiente, pois diariamente o paciente precisa utilizar uma grande quantidade tanto de anestésico (sedativo), quanto de relaxante muscular.

Por outro lado, a Unidade Central de Agentes Terapêuticos (UNICAT) da Secretaria Estadual de Saúde Pública (SESAP) de Mossoró, responsável pela distribuição de medicamentos para as unidades de saúde locais, emitiu uma nota negando a falta dos medicamentos usados na intubação de pacientes de covid. Na nota, a direção da unidade declara que existe um sistema de monitoramento de todos os produtos que saem da unidade e que os estoques estão sendo repostos à medida que existe a necessidade.

Ainda segundo a Unicat, no que se refere aos sedativos, os que estão em falta a unidade dispõe de substitutos e o processo de reposição já está em andamento. A nota diz o seguinte: “A dopamina está em processo de aquisição, porém a Unicat dispõe de medicamento substituto, a noraepinefrina. Com exceção do propofol (aguardando entrega do fornecedor), todos os demais medicamentos estão em estoque, a maioria com disponibilidade para uso por três meses, desde que mantido o perfil atual de consumo, podendo variar com a abertura de novos leitos”, Secretaria Estadual de Saúde Pública (SESAP).

 

Anestesiologista ressalta importância de sedação em pacientes intubados

Ronaldo Fixina, todo paciente submetido a procedimento cirúrgico precisa ser sedado

A importância dos medicamentos para anestesia (sedação) e relaxamento muscular de pacientes submetidos a procedimento de intubação, é reforçada pelo diretor da Clínica de Anestesiologia de Mossoró (CAM) Ronaldo Fixina. Segundo ele, todo e qualquer procedimento cirúrgico exige que o paciente seja anestesiado, ou sedado.

Ronaldo Fixina explica que, no caso específico dos pacientes de covid que precisam ser submetidos a processo de intubação, além da anestesia, o uso de relaxantes musculares também se faz muito necessário para o sucesso do tratamento. Indagado sobre a escassez desses medicamentos nas unidades de saúde de Mossoró, Fixina aponta como sendo uma situação preocupante.

O anestesiologista ressalta que quando o paciente de covid precisa ser intubado, o primeiro procedimento é fazer com que ele fique inconsciente para que se torne possível realizar o procedimento cirúrgico para colocação de ventilação artificial. “Um processo de intubação em um paciente acordado, sem sedação, desencadeia estímulos como aumento dos batimentos cardíacos, ou seja, não é possível realizar um processo cirúrgico sem anestesia e isso vale não só para os pacientes de covid que precisam ser intubados, e sim para qualquer procedimento cirúrgico”, esclarece.

Ronaldo Fixina detalha ainda que é necessário também que durante todo o período em que o paciente permanecer intubado ele esteja sob efeito de anestesia. Quanto a importância dos relaxantes musculares, o especialista explicai ainda que a paralização das contrações musculares se torna necessário neste tipo de procedimento. “Quando se está sob efeito de uma ventilação mecânica, a musculatura precisa estar relaxada para evitar um esforço desnecessário”, acrescentou.

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