Crônica

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO

Volto ao assunto, como havia dito. O local onde o Instituto de Educação foi construído era o que se considerava na época muito afastado do centro da cidade. Mas, a escola possuía um ônibus que fazia o percurso entre ela e o centro, várias vezes, durante os turnos de aula, levando e trazendo, gratuitamente, alunos e professores.

A frente do prédio era (e é) para a Rua Ferreira Itajubá, mas o comum era o acesso pela Pça. Dom João Costa, do lado leste, através de largo portão, que, às vezes, era dispensado por alunos que preferiam pular o muro baixo, apesar da proibição e até punição que isso trazia. A Ferreira Itajubá terminava praticamente na Jeremias da Rocha e o trecho da frente da escola tinha umas poucas casas e um terreno baldio para onde os alunos fugiam, vez em quando, para jogar futebol. A oeste, onde é hoje a moderna Av. José Damião, apenas mato, sítios e algumas casas simples da região chamada de “Cordões”. Mas havia uma casa branca de sobrado, bonita, cercada de altas árvores, onde é agora a esquina da José Damião com Av  Dr. João Marcelino, essa também inexistente naquele trecho, à época, a não ser por caminhos irregulares por onde se chegava a casas isoladas que iniciavam, pode-se dizer, a zona rural do município, naqueles lados.

Pode-se até especular que alunos da escola abriram, como bandeirantes urbanos, os caminhos da atual Av. Diocesana. De fato, alguns que residiam na Boa Vista, Lagoa do Mato e parte do Doze anos, usavam veredas abertas no matagal no percurso a pé, entre casa e escola, nos turnos da manhã e tarde, porque, à noite, nem lobisomem passava ali, com medo de assombração.

O Instituto de Educação trouxe para Mossoró muitos jovens de outras cidades, especialmente as mais próximas, região Oeste, Salineira, Vale do Açu e Apodi. Alguns com a família, que se radicava na cidade, outros sozinhos. A propósito, ali perto se ergueu, depois, a Casa do Estudante.

Era, então, uma escola moderna, que além de privilegiado quadro de professores e recursos pedagógicos clássicos, contava com laboratório, refeitório, cantina, amplos espaços para circulação e convivência, uma bela quadra poliesportiva coberta,  e dava-se ao luxo de, quando a cidade dispunha apenas de cinemas, ter um teatro onde se apresentaram grupos locais, como o Teatro Escola de Amadores (TEAM) e de fora, principalmente de Natal e Fortaleza, levando peças de Shakespeare, Ariano Suassuna, Pedro Bloch, Maria Clara Machado, Millor Fernandes e Plínio Marcos.

 

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