Crônica

ESCOLAS DA PREFEITURA

Preferi Escolas da Prefeitura em vez de Escolas Municipais para diferenciar das escolas formais mantidas pelo município, funcionando em prédios construídos para esse fim, dispondo de professores com formação específica, direção e estrutura administrativa e integrada a um sistema de ensino reconhecido pelos órgãos nacionais de educação. Aquelas a que me refiro não mais existem, mas existiram desde os anos 1930 e até pouco antes de 1960, salvo alguma pequena imprecisão de datas.

Funcionavam em imóveis particulares, geralmente a casa das professoras. Sim, professoras! Se havia algum homem na função, era exceção. Cadeiras, tamboretes ou um banco longo em torno da também longa mesa de refeições da família, eram o mobiliário da escola, onde crianças de bairros periféricos desenvolviam os estudos, algo próximo do que se conhece hoje por ensino infantil e, possivelmente, a parte inicial do que é o ensino fundamental.

A expressão “algo próximo”, na comparação acima é porque as etapas formais de ensino fazem parte de um programa que integra uma fase às fases posteriores de forma sistemática. As escolas a que nos referimos visavam tirar as crianças do analfabetismo completo, sem um plano específico de continuidade (que poderia haver ou não). E não se veja nisso mérito menor, pois a quantidade de adultos que não sabia sequer assinar o próprio nome não era raridade no universo onde estavam essas crianças.

Não sei qual era o critério de escolha das professoras. Mas sei que elas podiam ser detentoras apenas do título do chamado “curso primário”, o suficiente para, com alguma vocação, desasnar aqueles meninos nas primeiras letras e nos cálculos mais simples.

Nem se imaginavam procedimentos direcionados a desenvolvimento de habilidades motoras ou para o aprendizado da vida em sociedade, ou outros procedimentos que integram o básico do ensino nessa fase. A disciplina se baseava nos costumes e era lembrada por uma palmatória sempre à vista, mesmo que não fosse usada.

Não ganhavam muito essas professoras (sempre foi assim). Também não eram funcionárias públicas. Passavam mensalmente (geralmente no fim do mês) na própria sede da prefeitura para receber seus pagamentos, não sei se em valores fixos ou relacionados à quantidade de alunos.

Infelizmente, por uma combinação complexa de fatores, a maioria dos alunos dessas escolas parava os estudos no nível primário. Essa parte é uma lição para a história.

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