Entrevista

Conversa da Semana com o prefeito Allyson Bezerra

Conhecer a causa. Sentir e entender cada solicitação. Ter a vivência com a inexistência dos direitos básicos garantidos pela constituição brasileira que são desrespeitados pelos governantes. Investir numa luta com a certeza que é possível mudar realidades com trabalho sério e muita determinação. Essa é a base que compõe o político Allyson Leandro Bezerra da Silva. Brasileiro, nordestino e mossoroense de sobrenome Silva. Prefeito da segunda maior cidade do Rio Grande do Norte e com apenas 28 anos de idade, traz em sua essência a vontade de ajudar e de levar o básico a quem precisa. Já foi taxado de menino, por ser iniciante, como prefeito, mas vem conseguindo responder escrevendo sua história, não somente como mais um político e muito menos por ser mais um Silva, mas sim como um prefeito jovem que, em apenas 100 dias de gestão, desponta como um importante administrador público que vem conseguindo conquistar, a cada ação, o respeito e a admiração dos mossoroenses. Na conversa da semana de hoje, ao Portal do RN o prefeito Allyson Bezerra fala sobre os primeiros meses de sua gestão, dos desafios de administrar um município em plena pandemia e dos obstáculos encontrados no trajeto da zona rural ao Palácio da Resistência.

Por Sayonara Amorim

PORTAL DO RN – Prefeito, a sua trajetória na política vem mostrando um embasamento nos problemas sociais, em particular, nas dificuldades enfrentadas pelas classes menos favorecidas. Foi objetivando mudar essas realidades que buscou a política?

ALLYSON BEZERRA – Primeiro, eu faço política porque eu tenho vocação e vi isso desde os primeiros momentos na escola como líder de sala, dentro da universidade ou mesmo na igreja. Eu faço política porque sou vocacionado, porque gosto de servir e o meu objetivo é sempre resolver os problemas. Gosto de estar perto do povo e a minha satisfação é quando eu consigo resolver uma necessidade. Principalmente quando tem um problema que o povo espera por solução há vários anos e quando eu consigo solucionar, isso me deixa muito feliz. Eu gosto de ouvir o povo e quando vejo dificuldades que via há 20 anos e consigo sanar e ver o povo satisfeito, isso me deixa muito feliz. Por exemplo, logo no início de nossa gestão tomamos conhecimento de um problema sério de água na comunidade do Jucurí e fomos lá, resolvemos e hoje, ouço da população que o problema não existe mais, é motivo de muita alegria para mim.

PRN – Como o senhor descreve a sua experiência como deputado estadual? E como foi decidir concorrer a prefeitura de Mossoró, sabendo que teria que enfrentar uma oligarquia que vinha dominando a política local há várias décadas?

ALLYSON BEZERRA – O mandato de deputado, foi uma situação muito nova para mim. Foi a primeira vez que fui às ruas pedir votos. Fizemos uma campanha muito simples com baixo custo e considero que foi uma experiência importante e sou muito grato por esta primeira oportunidade que o povo me deu, em 155 cidades do nosso estado conseguimos alcançar mais de 20 mil votos. Foi meu primeiro contato com o poder legislativo, com os governantes, tive contato mais de perto com os municípios e mais acesso às leis. Foi uma experiência muito gratificante. Eu decidi disputar a prefeitura de Mossoró ouvindo o povo nas ruas, escutando o apelo das pessoas. Eu ouvia vários seguimentos me pedindo para colocar meu nome à disposição na campanha municipal, por que os mossoroenses já não aguentavam mais viver sob o domínio dos grupos políticos que vinham dominando a cidade há mais de 70 anos. Eu vi que tinha espaço para essa disputa, fui para as ruas, mesmo sabendo que enfrentaria grupos poderosos, mas, assim como aconteceu na minha campanha pra deputado, a mesma voz que ecoava, ainda quando eu estava no mandato estadual clamando por mudança, foi a mesma voz que me trouxe até aqui, e essa confirmação veio no dia 15 de novembro com a nossa vitória. Quando o povo de Mossoró me elegeu prefeito.

PRN -O senhor conquistou os eleitores demonstrando muito conhecimento de causa referente aos problemas enfrentados pela maioria dos mossoroenses, porém, chegou a receber o pseudônimo de ‘menino’, referente a sua pouca idade e numa insinuação de que o senhor não teria experiência para assumir a responsabilidade de administrar a segunda cidade do estado. Como foi lidar com essas críticas e de onde tirou forças para continuar lutando?

ALLYSON BEZERRA – Olhe, começou realmente de forma pejorativa me chamarem de menino, porque eu não teria experiência, porque eu não teria capacidade, porque eu não tinha grupo político, porque eu não tinha condições financeiras, eu não tinha estrutura, enfim eu não tinha o lastro político que era comum de quem chegava ao Palácio da Resistência. Mas, eu digo muito que aquele termo menino se voltou para quem falava, porque o povo começou a me abraçar, principalmente quem tinha uma idade mais avançada. E as pessoas começaram a abraçar o menino e a perceber que eu representava o neto ou o filho que vinha de origem humilde e que estava batalhando nas ruas. Eu era o menino que representava aquele filho que sonhava em estar na faculdade e vencer pelos estudos. Então eu comecei a ver que o termo ‘menino’ começou a ser chamado nas ruas pelas pessoas com muito carinho e aquilo ali foi pegando e quando eu chegava nas ruas o povo dizia, o menino chegou, esse termo também foi tema de música de nossa campanha. E hoje, quando eu chego nos bairros e ouço as pessoas dizerem: meu menino chegou, ou o prefeito menino chegou, confesso que fico muito satisfeito em receber o carinho do povo.

PRN – Os 100 primeiros dias de sua gestão estão sendo completados agora. Quais foram os principais problemas encontrados e como a sua administração está conseguindo lidar com as dificuldades impostas pela pandemia da covid-19?

ALLYSON BEZERRA – Dois grandes problemas nós começamos enfrentando. As condições financeiras e muitos problemas administrativos. Encontramos dívidas de mais de R$ 875 milhões de reais. Débitos com o governo federal com prestadoras de serviços, com os comerciantes e comércio local, com fornecedores, com servidores. Enfim, nós ouvíamos que Mossoró estava com muitas dívidas, mas quando assumimos vimos que esse volume era muito maior. No ano passado, na administração anterior, primeiro ano de pandemia, o município recebeu investimentos de mais de R$ 80 milhões de reais. Neste ano, nós temos o agravamento da pandemia, um aumento no número de casos e uma redução da receita. Então precisamos tomar medidas para reduzir as despesas e o enxugamento da máquina pública foi uma das medidas que nós adotamos para poder cumprir com as obrigações. Nós encontramos servidores com salários atrasados e conseguimos regularizar e hoje estamos com os salários em dia, décimo terceiro salário já sendo pago aos aniversariantes de cada mês e já começamos a pagar os atrasados da gestão passada. Tudo isso através de organização, gestão e muita eficiência.

PRN – Recentemente o senhor inaugurou uma UBS totalmente equipada, atendendo a uma solicitação antiga dos moradores de bairros da zona leste da cidade. Também inaugurou uma Unidade de Educação Infantil em um bairro periférico que representava uma espera de 12 anos da população. Qual é o seu sentimento em poder concretizar projetos tão esperados e importantes para os mossoroenses em tão pouco tempo de gestão?

ALLYSON BEZERRA – Duas áreas que eu sempre sofri muito na minha vida e boa parte do povo de Mossoró ainda sofre até hoje, falta de assistência à saúde. Ter que madrugar nas filas para conseguir uma ficha, um exame, uma consulta médica. Então nós entregamos uma UBS toda equipada com toda a estrutura já pronta e finalizada, não entregamos só um prédio. E na área da educação, a primeira vez que eu tive contato com os livros foi numa creche de barro no Sítio Chafariz. Em frente a capela, se for lá hoje ainda se vê os escombros da antiga creche onde eu estudei pela primeira vez. Então eu sei e conheço bem como é a realidade da educação pública. Nós entregamos uma Unida de Educação Infantil, em tempo integral, e lá o pai e mãe vão poder deixar seus filhos durante todo o dia para que possam trabalhar. É uma unidade modelo para atender a Mossoró totalmente equipada. São obras, realmente muito importantes entregues aos mossoroenses, porque saúde e educação são dois pilares. Garantir assistência à saúde e a educação de qualidade são ações que me deixam, enquanto alguém que veio da zona rural e da zona periférica do município, muito orgulhoso, principalmente por concretizar essas obras nos primeiros cem dias de mandato.

PRN – Prefeito, o senhor deixa claro que educação é uma de suas prioridades, como está sendo para sua administração ter que investir nesta área num ano em que as aulas não podem acontecer de forma presencial?

ALLYSON BEZERRA – A gente tem a satisfação de poder dizer que tem um olhar especial para a educação e por isso estamos aproveitando cada recurso que vem para essa área, seja do FUNDEB ou recursos extras de arrecadação própria. Enquanto as aulas não podem acontecer de forma presencial, nós estamos fazendo a manutenção e reforma de escolas. Inclusive na quinta-feira, dia 15, nós inauguramos a recuperação da Escola Municipal José Benjamim, localizada no bairro Planalto 13 de Maio, mais conhecido como Papôco, onde eu estudei. Foi a primeira escola que estudei aqui em Mossoró depois que vim da zona rural. A escola estava sem condições de ensino e as obras de recuperação dessa escola está sendo feita para quando as aulas presenciais retornarem. Estamos também fazendo a entrega de kits de alimentação para as famílias dos alunos como reposição da merenda escolar, enfim, enquanto as aulas não podem ser presenciais, nós estamos trabalhando em várias frentes.

PRN – Os problemas enfrentados pelas comunidades que vivem na zona rural são sempre ressaltados em sua gestão. O senhor demonstra um certo carinho pelos moradores do campo. Esse afeto vem do conhecimento sobre as necessidades enfrentadas pelas comunidades rurais?

ALLYSON BEZERRA – Vem da experiência de quem sabe o que é a falta d´água na zona rural, de quem sabe o que é falta de um trator para cortar a terra para poder plantar, a experiência de quem sabe o que é não ter assistência a saúde e a falta de estradas. Sabemos que o mais importante para o homem do campo é a água e nós já levamos água, através de consertos de bombas, manutenção e instalação de dessalinizadores para mais de 70 comunidades. Estamos realizando várias obras de recuperação de estradas vicinais para facilitar o acesso às comunidades. E ainda estamos com um projeto de assistência técnica com veterinários e agrônomos para assistir ao homem do campo e estamos garantindo também o serviço do corte de terra. Nós estamos levando um pouco de melhoria para a zona rural porque sabemos que o homem do campo e a mulher do campo merecem dignidade e nós vamos proporcionar essa dignidade durante toda a nossa gestão.

PRN – Há várias décadas a população de Mossoró ouve falar em projetos de despoluição do rio Mossoró-Apodi. Esse é um problema antigo, assim como é antiga a reivindicação da população para a despoluição. Um trabalho recente da prefeitura vem sendo realizado no rio e se estende a uma investigação para identificar ligações clandestinas de esgotos que desaguam no rio Mossoró. Podemos dizer que a sua gestão deu início a tão esperada despoluição de um dos cartões postais da cidade?

ALLYSON BEZERRA – São ações que estão sendo realizadas e outras que estão sendo encaminhadas para realização. É realmente um grande projeto de despoluição do rio Mossoró e a nossa ação pretende fazer desse ponto um grande cartão postal do estado do Rio Grande do Norte. Eu olho pro rio e vejo muita riqueza, por isso nós começamos um trabalho de limpeza e estamos, desde janeiro, mapeando todos os esgotos que são jogados no rio para serem canalizados para a rede de saneamento básico da Caern. Atualmente estamos realizando obras de dragagem, retirada de aguapés e lixo. Temos também um projeto de arborização e reflorestamento para que os mossoroenses encontrem no rio um ponto de lazer. Isso é totalmente possível e viável e vamos buscar todos os meios de realizar esse projeto. Se Deus quiser, vamos concretizar a despoluição e urbanização do rio Mossoró e esta será uma das grandes marcas de nossa gestão.

PRN – Os fatos históricos de Mossoró, ressaltados através de espetáculos que já se tornaram eventos oficiais no calendário cultural, vem contribuindo para que Mossoró se torne um polo turístico. O Mossoró Cidade Junina, por exemplo, é um evento que atrai milhares de pessoas e no ano passado não aconteceu por conta da Pandemia. A paralização das atividades artísticas e culturais vem contribuindo para que artistas, produtores e demais trabalhadores do setor enfrentem sérios problemas, até mesmo de sobrevivência. O que a sua gestão pensou para atender a este setor?

ALLYSON BEZERRA – Nesse ano, apesar da pandemia, nós criamos e vamos desenvolver o Mossoró Cidade Junina Virtual, exatamente para atender aos artistas e a todos os trabalhadores que atuam nesta área. O nosso projeto pretende beneficiar diretamente e exclusivamente os artistas da terra e esse nosso trabalho é uma ação em conjunto com as cidades de Campina Grande e Caruaru, que também realizam grandes eventos juninos e que neste ano também vão adotar o modelo virtual. A Secretaria de Cultura já está desenvolvendo as atividades e vamos realizar um evento grande e bonito que vai possibilitar a muita gente Brasil a fora, conhecer um pouco mais da nossa cultura.

PRN – Prefeito, o senhor é sempre visto nos pontos de imunização contra a covid, incentivando o programa nacional de vacinação e divulgando o projeto Mossoró Vacina. O sistema de agendamento, adotado pela Secretaria Municipal de Saúde, também é exclusivo. Em Natal, recentemente foi registrada a falta de vacinas para administração da segunda dose, e aqui em Mossoró esse problema foi descartado. Podemos dizer que o programa local Mossoró Vacina é bem-sucedido. A que o senhor atribui esse sucesso?

ALLYSON BEZERRA – Primeiro nós tomamos uma medida de descentralizar a vacinação. Enquanto nós vimos algumas cidades fazendo de forma concentrada em alguns pontos onde as pessoas precisavam ir aos locais de carro, nós buscamos um meio de facilitar esse acesso. Hoje nós temos 46 pontos fixos de vacinação nas zonas urbana e rural de Mossoró. Isso possibilitou para que mais pessoas sejam vacinadas. Em segundo, nós criamos uma ação denominada de Mossoró Vacina, para dar uma identidade a cidade. Há um mês eu fiz um pronunciamento do Palácio da Resistência onde eu pedi a união das pessoas e chamamos a atenção para união em torno da vacinação, e esse chamamento foi acatado pela população. Nós conseguimos despertar o sentimento de voluntariado e hoje, somos a primeira cidade do estado que já está vacinando a faixa etária de 61 anos e já vai iniciar a vacinação de pessoas com 60 anos. Nós somos a cidade do RN que mais tem pontos fixos, que mais avançou na vacinação e que está com a menor faixa etária sendo imunizada. E o nosso sistema de imunização tem uma organização que garante a 1ª e a 2ª doses da vacina. E costumamos dizer: mandem mais doses, porque Mossoró Vacina.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O meu sentimento com relação à pandemia da covid, é de muita tristeza, porque eu perdi muitos amigos para essa doença. Pessoas próximas foram vencidas pela doença e o sentimento é de mais tristeza ainda porque não podemos nem velar o corpo de um amigo, de um familiar. Portanto, fica aqui a minha solidariedade a todas as famílias que perderam seus entes queridos e amigos para a covid. E quero deixar aqui também registrado que a nossa administração está fazendo tudo que é possível para garantir todas as condições de enfrentamento à doença. Um exemplo disso foi a instalação do nosso centro de testagem no Ginásio Pedro Ciarline, que foi todo instalado com recursos próprios. Eu reforço aqui a população que continuem tomando todos os cuidados, mantendo o distanciamento, usando máscara e se vacinando. Se Deus quiser, tudo isso vai passar e vamos voltar a normalidade.

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