Entrevista

Conversa da Semana com Ekarinny Medeiros

A estudante mossoroense Ekarinny Myrela Brito de Medeiros, 20 anos, tem feito história ao longo de sua vida. A jovem cientista já participou de diversas feiras de ciências nacionais e internacional, tendo conquistado o 4º lugar em Medicina Translacional na Intel ISEF a maior feira de ciência do mundo em 2019, ocorrida nos Estados Unidos. Atualmente Ekarinny é estudante de Biomedicina e voluntária do Programa Ciência Para Todos da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), onde está matriculada no curso de Ciência e Tecnologia (trancou a matrícula). Ultimamente, Ekarinny tem chamado a atenção por sua participação no Caldeirão do Huck, da Rede Globo, conseguindo, ao lado do professor Felipe Ribeiro (Ufersa), o segundo maior prêmio da história do programa. Veja na Conversa da Semana a seguir, as principais histórias e ideias da estudante.

Por Márcio Alexandre

PORTAL DO RN – Você estudou a vida inteira em escola pública? Conte um pouco como foi sua experiência na educação básica.

EKARINNY MEDEIROS – Sim, minha vida inteira. Minha família é humilde então nunca tivemos dinheiro para custear a educação privada.

Foi na escola pública que eu formei meu caráter, meu conhecimento e minha vida.

PRN – Qual é, então, a importância da escola pública em sua vida?

EM–  É toda a minha base de ensino. Foi na escola pública que eu formei meu caráter, meu conhecimento e minha vida.

PRN – Como foi que você começou a se interessar por Feira de Ciências?

EM – A partir da experiência de três amigos meus com feira de ciências. Eles me inspiraram a fazer ciência também.

PRN – Na sua opinião, qual o papel das feiras de ciências nas escolas, sobretudo da rede pública?

EM – É essencial uma vez que a feira de ciência nos capacita a entender o mundo ao nosso redor. A entender que podemos sim, criar coisas incríveis através da nossa própria ideia. Além de nos ajudar a apresentar e defender um projeto.

PRN – O que essas feiras agregaram às suas habilidades, à sua forma de encarar o mundo, à sua perspectiva de vida?

EM – Nos ajuda a resolver problemas do cotidiano com criatividade. A solucionar problemas reais com soluções reais.

PRN – Nos fale um pouco como surgiu essa oportunidade de você irem ao Caldeirão do Huck.

EM –  Eu senti à vontade de inscrever para participar do The Wall e convidei o professor Felipe para representar o Programa Ciência Para Todos. O professor topou. E nos inscrevemos. A ideia principalmente era fazer com que o Programa Ciência para todos e o projeto do cateter bioativo fosse apresentado para o Brasil todo e que através da minha história milhares de pessoas se inspirassem e começassem a fazer ciência.

PRN – E como foi lá em termos de bastidores, de expectativa, ansiedade?

EM – Foi tudo muito mágico, um sonho. A equipe maravilhosa, muito atenciosa e cuidadosa com a gente.

PRN – O dinheiro que vocês ganharam, qual tem sido a finalidade dele?

EM – O fundo de investimento de apoio para pesquisa de jovens cientistas do semiárido e um fundo de apoio para a pesquisa do cateter bioativo.

PRN – E a ideia do livro como surgiu?

EM – O professor Felipe sentiu a vontade de colocar no papel toda a alegria que foi participar do The Wall. Além que esse ano fazemos 10 anos da Feira de Ciências do Semiárido Potiguar e o livro fala um pouco da história do programa, além da minha história com a ciência.

PRN – Como se deu a sua migração da escola para a universidade? A escolha pela Ufersa (Universidade Federal Rural do Semiárido) tem a ver com essa sua trajetória em feiras de ciências?

EM – Sim, totalmente. Antes eu não tinha nem expectativa de cursar alguma coisa ou ir para a faculdade. Depois de participar de feiras de ciências tudo mudou. Me tornei uma pessoa mais estudiosa, dedicada e percebi que poderia alcançar muitos voos.

PRN – Você se submeteu a uma seleção nacional para conseguir essa vaga. Como você analisa as condições dos estudantes de escola pública que almejam uma vaga no ensino superior nesses tempos de pandemia?

EM – Vejo que nesse tempo que estamos vivendo torna-se mais difícil, pois os alunos enfrentam muita dificuldade no ensino a distância.

Façam ciência e ganhem o mundo com uma boa ideia.

PRN – Para finalizar, qual a sua mensagem para os estudantes em geral e em especial para aqueles da escola pública?

EM – Nunca desistam dos seus sonhos por mais difícil que seja. Somos maiores do que imaginamos e o lugar de onde viemos não vai determinar o lugar onde podemos chegar. Façam ciência e ganhem o mundo com uma boa ideia.

 

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