Crônica

ANTIGAS PADARIAS DE MOSSORÓ

O pão é a referência mais antiga de alimento na face da terra. Representa todos os demais, simboliza o sustento da vida. Na Bíblia Sagrada é citado desde o Antigo Testamento e no Novo Testamento está presente nos momentos mais significativos para a fé cristã.

No cenário de uma cidade de qualquer tamanho, poucos equipamentos são tão fundamentais como suas padarias. Na República de Platão, a descrição imaginária de uma cidade ideal começa com a função do lavrador, que terá de garantir a provisão de trigo para os demais cidadãos. Está implícito que essa função se estende no trabalho do padeiro, de transformar o trigo em pão.

Em dois textos falaremos, primeiro, de aspectos da relação da cidade com suas padarias; depois, de estabelecimentos, quase todos desparecidos hoje.

Padarias tradicionais de Mossoró limitavam-se à venda de pão e outros produtos de trigo: bolachas, biscoitos, bolos. Não havia, ou era rara, a venda de produtos de mercearia e, principalmente, não havia, o que hoje é corrente, o serviço de restaurante servindo do café da manhã ao jantar, prontos, ao contrário de padarias, por exemplo, de São Paulo, onde é antigo o hábito de se tomar, pelo menos, o café da manhã.

Por falta dos recursos tecnológicos que hoje permitem tê-lo saindo a intervalos durante quase todo o tempo em que a padaria fica aberta, o “pão quentinho” era privilégio do final de tarde e início da manhã.

A ida à padaria era quase um ritual (talvez, de certo modo, ainda seja). Passar no estabelecimento fidelizado naturalmente, pela localização perto ou no caminho de casa, pela afinidade como os donos, pela qualidade das massas, ou até por um sistema de crédito muito próprio da época, a providencial “caderneta”; sair carregando os pacotes, tépidos sacos de papel de cor amarelo-parda, exalando o cheiro característico do pão recém-saído do forno, não resistindo a tentação de tirar “aquele pedacinho” degustado enquanto se caminhava na rua.

O contraponto à forma anterior era a outra maneira de ir à padaria. Quando a compra era feita pelas pessoas que estavam em casa e saiam em horas marcadas para comprar o pão que era trazido em  sacolas de pano, que a família orgulhava-se de ter, bordadas com linhas vermelhas aquelas formas da bisnaga tradicional ornadas por duas folhas de trigo, acima da palavra “pão”, também bordada com uma grafia que sugeria escrita manual caprichada. E sem saber que, poupando o saco de papel, salvavam florestas.

 

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