Crônica

A PRIMEIRA TV QUE VIMOS AQUI

A TV Ceará, Canal 2, de Fortaleza, pertencia à Rede Tupi (a emissora do índio) que se expandira pelo Brasil na esteira do poderio dos Diários Associados, com suas empresas jornalísticas: jornais, revistas, rádios e uma agência de notícias.

O vídeo-tape, então recente, permitia gravar e editar programas, mas algumas coisas ainda eram feitas ao vivo, principalmente os comerciais. Profissionais da emissora tornaram-se populares fazendo esses anúncios com destaque para Toinho, figura carismática que não se importava de iniciar ou findar alguma propaganda com uma piada rápida ou algum improviso engraçado. Toinho, ao que se dizia, tinha alguma ligação com Mossoró.

A produção local da TV Ceará ia do jornal da noite com o circunspecto Cândido Colares e de uma espécie de coluna de assuntos gerais e crônica social feita pelo excêntrico Lúcio Brasileiro, aos programas de auditórios nos fins de semana, o “Porque Hoje é Sábado”, do apresentador Gonzaga Vasconcelos e o “Show do Mercantil” patrocinado pela conhecida rede cearense de supermercados Mercantil São José e apresentado por Augusto Borges. Nesses programas a atração eram artistas já conhecidos, como Ayla Maria, mas um punhado de jovens sonhava chegar a esse reconhecimento, entre eles, Belchior, Fagner, Ednardo,  Pêpê e outros. A TV Ceará ainda tinha em seu elenco os atores Renato Aragão e Emiliano Queiróz.

A maior atração era a programação nacional da Tupi e conforme o dia (ou, mais propriamente, a tarde/noite) variava de enlatados tipo “Rin-tin-tin”, “Lassie”, “Zorro”, “Perdidos no Espaço”, “Bonanza”, “Lancer”, “Programa Tom Jones”, com o cantor/apresentador americano de vozeirão, e os programas produzidos pela emissora brasileira: o humorístico “Café sem Concerto”, o “Bibi (Ferreira) ao Vivo”, o “Clube dos Artistas” com Augusto e Lolita Rodrigues e o “Concertos para a Juventude” onde o maestro Isaac Karabtchevsky mostrava música clássica com simplicidade didática. Entre os programas de auditório, os clássicos Jota Silvestre e Blota Júnior e o polêmico Flávio Cavalcanti, que tinha dois programas semanais “A Grande Chance” e “Um Instante, Maestro!”. Os dois foram transformados em um só, aos domingos, com o nome de “Programa Flávio Cavalcanti”, o primeiro com duração de mais de 3 horas.

Concluiremos o assunto na próxima, pois há outros aspectos relacionados que nos parecem interessantes.

 

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