Crônica

A LOJA DE DISCOS DA CASA RÁDIO

A Casa Rádio, de José Claudio & Cia, foi uma das lojas mais conhecidas do comércio mossoroense do seu tempo. Na esquina da Idalino de Oliveira com Santos Dumont vendia rádios, como se deduz pelo nome, e diversos outros produtos eletrônicos, além de outros artigos. Foi das primeiras a vender aparelhos de TV. Antes de haver sinal de TV em Mossoró, mantinha em exposição um desses aparelhos, que à noite era ligado e exibia tão somente a chamada “imagem de chuviscos” deixando a quem olhava a expectativa das imagens de fato, que viriam pouco depois através da TV Ceará.

Mas, sua loja de discos era uma atração à parte, digna de destaque. Ficava no lado da Santos Dumont, entre a loja principal e sua oficina de consertos de rádio, que depois do radiotécnico Wilson passou à responsabilidade do saudoso Aderaldo, até que esse se mudasse com oficina própria para um prédio da Idalino Oliveira, ali mesmo, em frente. Marcos Rosado era o único vendedor e por muito tempo sua imagem permaneceu associada a essa loja.

Capas de discos, os long-plays e os disquinhos compactos de 2 ou 4 músicas, naquelas prateleiras repletas, lado a lado, formavam um bonito e colorido mosaico. Eram verdadeiras obras artísticas, fotografias de alta qualidade ou desenhos de artistas plásticos talentosos, como Luiz Jasmim e Elifas Andreato. Podiam ser ditos invólucros luxuosos de outras obras primas, a música produzida num dos momentos de rara criatividade de músicos, cantores e autores brasileiros ao lado da escalada explosiva de nomes internacionais, especialmente ingleses, norte-americanos, franceses, italianos, mexicanos e outros latinos.

À noite, algumas dessas capas caprichosamente dispostas no chão, de pé como se fossem esculturas em uma exposição, acrescentavam à loja não apenas uma vitrine de particular bom gosto, mas uma visão, sem exageros, emocionante, a aumentar a expectativa de ouvir os últimos lançamentos, ou voltar a encantar-se com músicas mais antigas às quais a qualidade garantia o selo de sucessos atemporais.

Cada tempo tem suas vantagens. Não havia como, naquele tempo, pensar nas possibilidades virtualmente ilimitadas de acesso a obras musicais, como ocorre agora, através de dispositivos que vieram com a era digital e a web.  Sensações não são explicáveis. Mas era, de fato, emocionante pegar na loja aquele disco novinho, nas suas capas bem produzidas, criativas, antecipando o momento em que seria ouvido, sozinho, com familiares ou amigos. Mesmo para um espírito avesso aos apelos do consumo, era prazerosa a experiência de passar na loja de discos da Casa Rádio.

 

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