Vilipêndio ou Democracia

É tempo que se pode tudo em todos, é tempo de asfixiar mesmo com oxigênio, de constranger e de determinar nenhum segundo de paz! Delimitar usos e espaços, usar palavras de ordem e isso não é autoritarismo, e sim democracia. Porque quem não congrega da egrégora criacionista, dissimulada, então a ela não pertence. É a democracia clamando em alta voz: fora!

Ah, mas somos iguais perante a lei, constitucionalmente até que procede, todavia naturalmente não. As diferenças dependem do campo magnético da igualdade, isto é, se você é uma mulher e não faz parte da consonância  estereotipada, terá um apoio.

Se você é somente uma mulher, mãe de família, que tem personalidade sem ser segregacionista, você não é uma mulher. Você é uma pessoa que pode ser execrada, porque a luta é para os que lutam democraticamente.

O cenário de holocausto silencioso vai ficando ainda mais intenso, quando os arquétipos criados seguem suas métricas sem rimas, porém cabem na musicalidade da consternação e do sofrimento enigmático, porque não importa se é humano, o que importa é a democracia.

As palavras mortíferas encenadas com gestos deprimentes nos palcos das contradições recebem aplausos, ganham adeptos, tem legitimidade e é a democracia da liberdade consagrada aos rituais opressores para o que defendem os oprimidos. É a democracia inteligível do modo de pensar, agir e lutar e assim, camufladamente,  vilipendiar.

Ah, esse protagonismo é mesmo assustador , porque exalta com sororidade, defende os opressores, combate a igualdade e tem endereço certo. Eu ainda vejo dias melhores , sons e gritos de alegria, pois “eu sou aquela mulher a quem o tempo muito ensinou. Ensinou a amar a vida e não desistir da luta, recomeçar na derrota, renunciar a palavras e pensamentos negativos. Acreditar nos valores humanos e ser otimista.” Cora Coralina  nos inspira nesse trecho e nos faz  dizer ainda mais: eu acredito na libertação da democracia.

* Ludimilla Oliveira é reitora da UFERSA.

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