Unus quisque mavult credere, quam judicare

Ludimilla Oliveira é Reitora da UFERSA


Qualquer um prefere crer, do que julgar por si mesmo. A expressão latina nunca foi tão adequada em tempos que a convivência pacífica é rara, que o respeito  a dignidade da pessoa humana é cerceada pela visão reducionista, por vezes alienante e turbada pelas agruras inebriadas da alma egoísta , fincada em valores nem sempre benéficos para a vida.

Sapientiam autem non vincit malitia, contra a sabedoria o mal não prevalece, a máxima é amálgama para os dias difíceis, intempéries, adversidades que só Deus pode controlar. Mas, o fim das coisas sempre será melhor que o começo delas por isso é tão sofredor esperar.

Audaces fortuna juvat, a sorte favorece os audaciosos, a complexidade dessa assertiva está no compasso a ser vivido, à baila dos desafios diários à luz do sol da justiça trilhados por caminhos tortuosos, pedregosos, curtos, longos e sem destinos. Mas, o fio desbravador desse enigma chamado vida precisa ser guiado pela fé, esperança, e de amor como combustível mantenedor da vitalidade do espírito.

A rota para descortinar o novo nessa esfera, tem como marco a ausência de medo. O baluarte dessa atmosfera, é composto de coragem, ânimo, alegria, determinação. Afinal, após envidados todos os esforços é preciso acreditar, superar e saber que tudo poder ser diferente, o que ocorre com o outro pode acontecer com você e mais ainda, nada como um dia após o outro.

A enigmática aurora de cada dia, traz consigo, o retrospecto do recomeço alimentada na fonte inesgotável do novo, do desconhecido e das probabilidades que nenhum ser humano pode sondar. Pois, os próximos segundos sempre serão de surpresas, embora as projeções nossas de cada momento nos sustente, como se tivéssemos o controle de tudo.

Bonis nocet, qui malis parcit, ofende os bons que poupa os maus e aí eis a maior das sagas humanas: o perdão aos malogrados e desconhecidos, inertes no tempo, ativos no alvo de atingir a alma abatida.  Daí, o sentido de acreditar e julgar, sem se colocar no lugar do outro ter o espaço garantido na mente, nas ações, nas constantes segregações e notórias exceções comportamentais, que deveriam ser incomuns.

Mas, ainda há esperança que a acepção seja substituída pela inclusão, que os desafetos sejam pontes de novas amizades, que os processos de enfrentamentos se transformem em construções alicerçadas na maturidade do saber viver.

Pois, por mais longa, difícil e complicada que venha ser a missão humana numa caminhada, é necessário ter sempre a clareza que nunca passaremos de humanos frágeis, limitados, dependentes e insuficientes para ser autor de supridor de todas as coisas.

Há sempre o momento inesperado de parada brusca, não calculada e aí descobriremos que nada somos, mas que substancialmente Deus é tudo em todos.

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