Projeto de crédito suplementar opõe deputados e eleitores

Manter perfis em redes sociais é uma forma prática de políticos, sobretudo detentores de mandatos, estarem próximos da população em geral e de seus eleitores em particular. Como tudo na vida, há o ônus e o bônus. Estar sempre em evidência é a vantagem. E também a desvantagem. Um fato ocorrido nesta quarta-feira dá bem uma dimensão das perdas e ganhos dessa condição.

Vejamos: o governo do Estado enviou à Assembleia Legislativa projeto de lei solicitando abertura de crédito suplementar no valor de R$ 1,8 bilhão para poder realizar os pagamentos do salário de dezembro e o décimo terceiro salário de 2019 dos servidores públicos estaduais. Surgiu a informação de que a bancada do Solidariedade, liderada pelo deputado Kelps Lima, teria manobrado para evitar que a proposta caminhe de forma célere e seja aprovada com tempo hábil para que o pagamento seja realizado nas datas já apresentadas pelo governo: 14 e 31 de dezembro.

Tão logo a informação veio a público, os deputados Kelps Lima e Alysson Bezerra foram alvos de saraivadas de críticas nas redes sociais. Para evitar dar maiores explicações sobre o seu posicionamento a favor do projeto, Kelps bloqueou a maioria dos internautas que o questionaram sobre o assunto. Já Alysson foi evasivo. Limitou-se a responder à maioria dos eleitores dizendo que já tinha votado a favor do servidor.

Com posições dúbias e respostas vazias, os parlamentares experimentaram críticas ao não informarem aos internautas de forma clara o que aconteceu, de fato, e o que teria motivado o surgimento da informação de que a bancada do partido que integram teria feito qualquer coisa que dificulte a aprovação da proposta, impedindo que os trabalhadores possam receber seus salários.

O episódio servirá para que os deputados reflitam sobre os posicionamentos, sobre o uso das redes sociais e, principalmente, sobre a necessidade de ser claro nas respostas aos questionamentos que lhes são apresentados.

DIAS RELATOR

O deputado estadual José Dias (MDB) foi escolhido para relatar o projeto em que o governo do estado solicita abertura de crédito suplementar no valor R$ 1,7 bilhão para pagar salários dos servidores estaduais. A proposta já foi aprovada em comissões técnicas, como a de Constituição e Justiça (CCJ).

 

MATERIAL DA DISCÓRDIA

A prefeitura de Mossoró anunciou que a atual gestão vai distribuir mochilas para os alunos da rede municipal de ensino. Ótima notícia, não fossem dois detalhes. O primeiro é que nos anos anteriores (2019 incluso) a administração municipal teve dificuldade para entregar o fardamento aos alunos. Outro: próximo ano haverá eleição para prefeito.

BANCADA DO MISTÉRIO

A bancada governista impediu, mais uma vez que a gestão municipal tenha que ir à Câmara Municipal esclarecer sobre problemas no sorteio do programa Minha Casa, Minha Vida. Ontem, a oposição iria apresentar requerimento em que pediria a presença da prefeita Rosalba Ciarlini para prestar esclarecimentos sobre a viagem que fez à Europa. Não houve sessão por falta de quórum.

JOICE BOMBA

Como era de se esperar, a deputada federal Joice Hassellman (PSL) disse na Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) aquilo que todo mundo já sabe: o núcleo familiar do presidente Bolsonaro mantém um forte esquema de milícia virtual para disseminar fake news e atacar adversários. Detalhe: com dinheiro público.

DOIS PESOS…

Para criticar o ex-prefeito Francisco José Júnior (PSD) um jornalista pago pelo Palácio da Resistência para atacar adversários da prefeita Rosalba Ciarlini, disse hoje, em um programa de rádio controlado pelo Rosalbismo, que Silveira cometeu crime grave ao receber “recursos carimbados dom FUNDEB” e não pagar a folha dos servidores da educação.

…DUAS MEDIDAS

“Esqueceu” comunicador de dizer que Rosalba recebeu, no final de novembro, mais de R$ 5 milhões do FUNDEB e também não pagou a folha dos servidores da educação.

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