Entrevista

Pandemia se enfrenta com políticas públicas, diz Lula

Ex-presidente falou sobre diversos temas em conversa com Paulo Linhares e Wellington Morais

“Pandemia não se trata com discurso de ódio. Pandemia se enfrenta com políticas públicas, com parcerias, com realização de obras de infraestrutura”. A assertiva foi feita pelo ex-presidente Lula durante entrevista concedida à Rádio Difusora de Mossoró na manhã desta sexta-feira, 10/7, e retransmitida também pela FM Costa Branca. Ainda segundo Lula, ao invés disso, o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, só fala em privatizar. “Essa política de sucateamento da Petrobras já fechou mais de 7 mil postos de trabalho no Rio Grande do Norte”, apontou.

A observação foi feita pelo ex-presidente ao comentar sobre a situação da pandemia da Covid-19 no país. “Bolsonaro poderia estar sendo tratado como herói, se lidasse com essa questão com dignidade, se tratasse as pessoas com respeito. Ele agora diz que está contaminado, espero que não seja grave, espero que ele viva”, afirmou.

Lula revelou que não tem orgulho de estar relatando a situação de caos que o país vive, mas disse que não há como analisar o cenário nacional sob outro aspecto. “Não gostaria que estivesse assim. Gostaria que o Bolsonaro tivesse aumentado o salário mínimo mais do que eu. Que tivesse colocado comida nas mesas das pessoas mais do que eu. Que tivesse criado programas sociais mais do que eu. Infelizmente, ele está fazendo o contrário. Acabou com o Mais Médicos, está acabando com o FIES, com o Farmácia Popular, com o Prouni”, lamentou.

O ex-presidente lembrou que até mesmo o auxílio emergencial de R$ 600 não está chegando a todos os que precisam. “Só dá para ter isolamento social se as pessoas tiverem o que comer em casa”, ressaltou Lula, acrescentando que ninguém tem culpa por essa crise sanitária, mas para ele o presidente Bolsonaro não exerce o papel de ser o responsável por conduzir de forma correta os rumos da nação. “Ao contrário, o que ele faz é adotar um discurso provocador, de desrespeito às minorias, de desrespeito aos governadores”.

Para Lula, os brasileiros não precisam ser alimentados por discurso de violência. “O povo não quer comprar bala. O povo quer comprar comida e livros”, afirmou. Para ele, além de apenas incitar o ódio, falta ao presidente Bolsonaro capacidade para administrar o país. “O presidente não precisa saber de tudo. Ele precisa saber coordenar. O maestro não é obrigado a saber tocar todos os instrumentos, mas tem que entender de música”, comparou.

O ex-presidente afirma que os Estados precisam ser tratados com respeito. “A relação entre presidente e governadores precisa ser civilizada. Não precisa ser amigos. Ninguém está falando em casamento, mas de relação entre seres humanos que tem cargo público”, pontuou.

Lula também falou sobre a situação do Nordeste e o que o motivou a ser presidente do Brasil. “O Nordeste só aparecia como região com mais analfabetos, mais fome. Percebi que a culpa disso era do homem público. Sempre disse o seguinte: seca é fenômeno da natureza. A fome por causa dela é responsabilidade dos governantes”, analisou.

Sobre a movimento que busca criminalizar a política, Lula fez a seguinte observação. “Toda vez que num país, num Estado e numa cidade você começa a negar a política, que se começa a dizer que todo mundo é ladrão, pode ter certeza que o resultado que vem depois é pior. Os problemas do mundo serão resolvidos pela política”, afirmou. Para Lula, foi a negação da polícia que fez surgir ditadores como Hitler e Mussolini.

“Quando vou discutir política com jovens, eu digo o seguinte: o dia que você achar que todo corrupto é ladrão, que todo político não presta, seja você o político honesto que você quer, porque o político honesto que você quer está dentro de você”.

O ex-presidente lembrou ainda na entrevista a Paulo Linhares e Wellington Morais, que os mecanismos de proteção ao dinheiro público foram instituídos nos governos no PT. “Nas eleições para o Ministério Público, tanto eu quanto a companheira Dilma indicamos sempre o primeiro colocado nas consultas. Fortalecemos as instituições. A Controladoria Geral da República foi transformada em ministério com capacidade para fiscalizar todos os ministros”, frisou.

Lula comentou ainda sobre Lava Jato, operação que para ele resultou numa quadrilha formada pela 13ª Vara Criminal de Curitiba com membros do Ministério Público. “Hoje todos sabemos que a força-tarefa da Lava Jato estava subordinada aos Estados Unidos. A Lava Jato foi criada para impedir que Lula fosse candidato em 2018”, analisou, acrescentando que o impeachment da Dilma também teve o mesmo objetivo. “Eles queriam me pegar”, finalizou.

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