Crônica

OS RECLAMES

Não há economia de mercado sem uma boa publicidade e essa é uma área em que o Brasil se destaca internacionalmente. Em alguns casos mais seletos, a criatividade da propaganda superou a do programa de televisão ou rádio que deveria garantir a audiência para o produto anunciado.

Naturalmente, antigos jingles e textos para rádio e TV refletem valores e abordam temas que lhe são contemporâneas, pois para criar empatia é necessária associação subliminar com esses valores e conhecimentos. Outra questão específica é a linguagem, que deve ser sempre facilmente assimilável pelo público-alvo da mensagem. Por outro lado, os recursos tecnológicos de produção e divulgação, determinam características desses trabalhos que podem até mesmo identificar o momento em que foram produzidos.

A criatividade, entretanto, em alguns casos é capaz de ignorar esses marcos temporais e fazer com que uma mensagem seja compreendida e apreciada para além desses limites. Outras vezes elas “pegam” de tal forma que se incorporam à comunicação comum e são reproduzidas por várias gerações e um produto continua conhecido quando já nem mais existe, pelo menos na forma anterior. Foi o caso de um equipamento acendedor de fogão cuja propaganda fez grande sucesso e durante muito tempo quando um conhecido perguntava se tudo estava indo bem o outro respondia: tudo Mageclick!

No rádio sempre predominou o caráter simples e direto, o que requer ainda mais inventividade. Novelas, compreensivelmente, associam-se a um tipo particular de propaganda, a dos cosméticos e produtos de higiene pessoal. E cosméticos são caso à parte entre os anúncios, pela frequência e pela singularidade das peças. Quando cirurgia plástica era excentricidade e silicone nem existia, tratamento de beleza se fazia, segundo os anúncios, com sabonete Palmolive, durante 14 dias, com direito até a neologismo no slogan: “para um banho de beleza, palmolive-se dos pés à cabeça!”. Os cremes dentais conclamam todos a sorrir. Não importa de quê e menos ainda o fato de sermos uma pátria de desdentados. Um conhecido jingle encontrou uma maneira curiosa de elogiar as mulheres para vender seu produto e, hoje em dia, correria o risco de ser interpretado como ironia. Uma singela quadrinha musicada que tentava convencer sobre as excelências de um hidratante para a pele. Os versos eram cantados alternadamente por uma voz masculina estilo Bing Crosby e por um coro de delicadas vozes femininas: “As flores desabrocham / com a luz do sol / e a beleza das mulheres / com o Creme Rugol”. Uma graça!

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