O mito da eficiência na Universidade Pública

Ludimilla Oliveira é Reitora da UFERSA

Pensar em fazer gestão nas Universidades, é enfrentar o desafio de equacionar a governança pública e a implementação de seus processos com a necessidade de viabilizar e articular peculiaridades do processo de trabalho, que vão além do cumprimento de objetivos e metas, pautados numa proposta estratégica de planejamento, denominada Plano de Desenvolvimento Institucional, pois temos pessoas, comportamentos, valores e as idiossincrasias.

O mote em relação ao mito está na compreensão, de que a governança pressupõe a organização metodológica da gestão, com a finalidade de evitar o caos institucional pelo viés da administração. Todavia, quando o assunto é o cotidiano, as pessoas, a realidade local, o cenário regional e o país interagindo num sistema aberto em plena pandemia do covid-19, a premissa é falha e o que se denomina de eficiência de uma gestão termina sendo, o calcanhar de Áquiles. Pois, a educação é transversalizada, por um contexto que vai além da esfera administrativa e envolve ideais, perspectivas e cenários, entre o ente e o ser humano.

A visão de eficiência na gestão pública das Universidades, tem sido tema de discussões pelo fato, dos agentes públicos que lá estão, em alguns casos, considerarem essa premissa mecanicista, gerencialista e fora do contexto universitário. Precisando de uma compreensão do desenvolvimento regional   alicerçada nos pilares de uma Universidade inclusiva, e de referência em nível tecnológico em qualquer área do conhecimento.

Fazer a gestão universitária não é simplesmente está a frente de um processo de trabalho. Ela precisa, ser dinâmica, sincera, sem promessas vazias, transparente em todas as suas ações e procedimentos e primar pela equidade. A gestão precisa conhecer o espaço de sua atuação e está na labuta de campo diariamente, priorizando o essencial e buscando melhorias continuamente para todas as pessoas envolvidas na Instituição.

Assim, zelar por procedimentos coerentes servem para contribuir com uma eficiência, que vai além de produzir um produto, um serviço. Mas, sobretudo serve para garantir direitos, garantir o acesso e o atendimento com qualidade, com transparência, com impessoalidade, razoabilidade, respeito e clareza.

Por isso, a gestão universitária precisa de pessoas atuantes, criativas, inovadoras, comprometidas e dinâmicas para sair dos gabinetes e enfrentar todas as dificuldades. Outrossim, é ir em busca do que se falta, do que se pode melhorar, do que se pode construir e ainda mais agregar, alinhar e incluir o desenvolvimento social, tecnológico e educacional como alicerce de um lugar, de uma cidade, de um estado, ou melhor do nosso país para fazer a diferença com crescimento e desenvolvimento.

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