Alarmante

Mossoró registra 450 inquéritos de violência contra a mulher durante a pandemia

Números foram divulgados pelo Núcleo de Estudos da Mulher e apontam que o munícipio se destaca como muito violento no que se refere ao público feminino

A pandemia ocasionada pelo novo corona vírus que vem dizimando vidas e provocando muita dor e sofrimento às famílias no Brasil e no mundo, também se mostra como agravante para um dado alarmante referente a violência contra a mulher. Pesquisas apontam que durante os meses da pandemia, os casos de violência contra mulheres cresceram de forma absurda.

Aqui em Mossoró, por exemplo, um levantamento feito pelo Núcleo de estudos da Mulher da Faculdade de Serviço Social (FASSO) da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), revelou números impressionantes que colocam a mulher como alvo de violência e opressão. Durante todo o ano de 2020, incluindo os dois primeiros meses deste ano, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Mossoró, já registrou: 475 Boletins de Ocorrência (BOs) que evoluíram para 450 Inquéritos Policiais.

“São números alarmantes que colocam Mossoró como um município muito violento para as mulheres e isso é muito preocupante”, a declaração é da diretora do NEM”

Suamy Soares.

Segundo o levantamento do NEM, neste período, foram feitas queixas de 188 lesões, 155 ameaças, 10 estupros de mulheres e 24 estupros de vulneráveis. As queixas de violência formalizadas na DEAM de Mossoró geraram até fevereiro deste ano, 311 medidas protetivas, (recurso que impede os agressores de manterem contato com as vítimas). “São números alarmantes que colocam Mossoró como um município muito violento para as mulheres e isso é muito preocupante”, a declaração é da diretora do NEM, Suamy Soares.

REDE DE ENFRETAMENTO

Apesar dos números da violência contra a mulher, apontarem índices muito altos, o município de Mossoró dispõe de uma rede de enfrentamento a este tipo de violência. Os mecanismos especializados de combate à violência contra a mulher são amparados pela Lei nº 11.340, mais conhecida como Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006 e pela Lei nº 13.104 (Lei do Feminicídio).

Com o amparo dessas duas leis federais, as mulheres em situação de violência em Mossoró podem contar com os seguintes mecanismos especializados. Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM); Centro de Referência da Mulher (CRM); Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; Casa Abrigo; Delegacia Virtual e Patrulha Maria da Penha.

Segundo a diretora do NEM, Suamy Dantas, não só Mossoró, mas o Rio Grande do Norte está no mapa da violência como sendo um estado muito violento para as mulheres. Porém, no que se refere a Mossoró, a professora ressalta a importância dos mecanismos sociais e de combate à violência contra a mulheres que existem na cidade e que precisam ser publicizados e funcionar melhor em rede interdisciplinar. “Nos temos aqui em Mossoró os mecanismos especializados, mas também fazem parte da rede, outros serviços como as UBS, CRAS, CREAS, UPAs, todos esses outros mecanismos precisam ser melhor preparados para atuar em conjunto e atender as mulheres que sofrem violência”, reforçou.

Outro ponto levantado pela professora Suamy é quanto a melhoria e ampliação dos serviços especializados já existentes. Segundo ela, a ampliação nos horários de atendimento da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, por exemplo, é um ponto que precisa ser revisto. “A Delegacia da Mulher não funciona 24 horas, e também não atende nos finais de semana, dias e horários em que geralmente são registrados o maior número de ocorrências de agressões às mulheres. Esse é um ponto que precisa ser revisto”, destacou.

No primeiro ano da pandemia 497 mulheres
foram assassinadas no Brasil

Segundo o último mapa da violência, o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídio. Segundo a professora Suamy, esse cronômetro da violência é muito expressivo e se torna ainda mais cruel quando são aliados às situações de pobreza e de raça. De acordo com o levantamento, as mortes de mulheres negras aumentaram em 54% no Brasil.

“É muito triste quando avaliamos esses números e
constatamos que as mulheres são frágeis diante da violência”

O dado ainda mais alarmante é que somente no período entre março e agosto de 2020, primeiro ano da pandemia, 497 mulheres foram assassinadas no país. O que significa que uma mulher foi morta a cada 9 horas durante este perído. “A situação das mulheres no Brasil é muito preocupante, porque somos o quinto país que mais mata mulheres e ainda tivemos esse dado agravado pela pandemia, quando as mulheres precisaram ficar mais tempo em contato com os seus agressores”, reforça.

O levantamento apontado no último mapa da violência também registra que quase 80% das violências cometidas contra mulheres são praticadas pelos companheiros, ex-companheiros, namorados, ex-namorados, etc. “É muito triste quando avaliamos esses números e constatamos que as mulheres são frágeis diante da violência, porque o que se imagina é que o lar é um local de acolhimento e onde a mulher deveria se sentir segura, mas é exatamente dentro de casa onde acontecem a maioria dos casos de violência”, completou.

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