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Mossoró para as pessoas: gestão pública para servir quem mais precisa

* Isolda Dantas

Essa semana foi impactada com o anúncio da saída da Petrobras do Rio Grande do Norte. Isso se traduz em uma situação dramática que a cidade enfrentará. Outrora, royalties máximos, empregos com bons salários e soberania brasileira, estamos dando lugar ao desemprego, à precarização, à falta de oportunidade. Todo mundo sabe da importância da Petrobras para o nosso Estado. E nossa luta em defesa desta importante empresa não é de hoje: sempre estivemos com voz ativa em atos, reuniões, conferências, frisando a importância da permanência. E apesar de tanto ter se beneficiado da Petrobras, a atual gestão de Rosalba Ciarlini não moveu uma palha na defesa da Petrobras, muito pelo contrário. Estamos diante da uma reflexão e de uma questão ainda não devidamente respondida: o que foi feito de tanta riqueza que passou por aqui?

No auge da exploração do petróleo em Mossoró, sobretudo no início dos anos 2000, poucos enriqueceram, enquanto as gestões passadas não se preocuparam em estruturar a cidade, muito menos em preparar Mossoró para uma crise que sabiam que iria chegar. Sim, o êxodo da Petrobras e dos empregos haviam sido prenunciados e eles não podem alegar que foram pegos de surpresa. Neste ambiente, os esforços que deveriam ser voltados pelo fortalecimento da Petrobras na cidade ou mesmo em estratégias econômicas para o pós-petróleo, se converteram em ações liberais para atender ao capital alheio às preocupações e demandas sociais. Neste âmbito, fomos contra a venda dos poços maduros para empresas que nem de longe agregariam o valor exercido pela Petrobras em Mossoró, que além dos muitos empregos gerados, ainda contribuía fortemente para o aumento da arrecadação.

Pensando nisso, trazemos mais algumas reflexões sobre gestão pública e desenvolvimento de Mossoró. Com base no que discutimos no nosso seminário “Gestão e desenvolvimento que Mossoró quer”, transmitido pelo YouTube, entendemos o quanto Mossoró perdeu de arrecadação nos últimos 10 anos e, mesmo assim, mantém positiva a saúde financeira do município. Sem contar na possibilidade de aumento de repasses diante do aumento da nossa população, que alcançou os 300 mil habitantes, como anunciou o IBGE nesta semana.

Mas, vamos lá. Algumas receitas de fato caíram como os royalties do Petróleo, mas houve as compensações advindas do plano de socorro aos Estados e Municípios do Governo Federal bem como os extras para combate ao covid-19. No período de janeiro a julho em 2020 a Prefeitura de Mossoró teve um saldo de R$ 67.402.157,76. Com ganhos maiores que as perdas num comparativo. Por que a prefeitura não investiu em melhorias estruturais para Mossoró – nem no auge dos royalties e nem no superávit das arrecadações? Onde tal montante foi aplicado?

Diante destas informações e do abandono em que se encontra a cidade, especialmente nas periferias, a gente pode afirmar: o que falta a Mossoró não é dinheiro. O que falta a Mossoró é gestão. Um olhar moderno para as pessoas, valorizando seu potencial para o trabalho, o talento de cada um. Uma gestão moderna garante oportunidades para que estas pessoas possam ser valorizadas, não se resignar frente à tragédia que é a saída da Petrobras.

Acredito que defender a permanência de uma estatal é fazer uma gestão pensando no povo, comprometida com o desenvolvimento da cidade, que invista em bons serviços públicos à população. Mais médicos e remédios nas UBS, iluminação e calçamento nos bairros mais distantes do centro, um transporte público que atenda à necessidade de as pessoas se locomoverem, oportunidades de emprego e renda, conclusão de obras de creches e escolas tudo isso tem a ver com gerir a cidade pensando nas pessoas, especialmente as que mais precisam.

Além disso, capacitar nossos jovens, gerar caminhos viáveis para que nossos conterrâneos possam usar suas habilidades em prol de sua família, da sua comunidade e do desenvolvimento de todos.

A gestão que entendemos como moderna busca reduzir as desigualdades entre os bairros da cidade, projeta estrutura para que todos se orgulhem dos seus bairros, que cada comunidade se transforme em organismo vivo e forte.

Temos um grande desafio a enfrentar. Rosalba não se preocupou, ao longo de tantos anos à frente da Prefeitura, em compartilhar tanta riqueza aqui gerada pela cidade. Não conseguimos visualizar a grande atuação da Petrobras na cidade em legado pelos bairros e pela zona rural. E no momento em que a empresa anuncia a sua saída,  nos propomos a construirmos uma Mossoró da gente com criatividade e trabalho, com cabeça erguida e como horizontes renovados.

Pré-candidata a prefeita de Mossoró

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