Análise

Ministro Rogério Marinho vive “inferno astral”

Ex-deputado experimenta turbulência política e continuidade no ministério é incerta 

O ex-deputado federal potiguar Rogério Marinho (sem partido) já viveu tempos melhores no seio do bolsonarismo. Titular do Ministério do Desenvolvimento Regional, tinha razoável autonomia para decidir as coisas na pasta, apesar do estilo centralizador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Nos últimos meses, porém, as coisas tem mudado bastante.

Mesmo com aparente apoio presidencial, nem sempre Rogerio Marinho saiu vencedor nas constantes contendas com o também ministro Paulo Guedes (Economia). Numa discussão acalorada durante reunião ministerial, segundo informou a Revista Veja, Marinho e Guedes teriam trocado ofensas pessoais.

Agora, a coluna Radar, da mesma Veja, revela que a possibilidade de Marinho entregar o cargo é real. Ele estaria insatisfeito por Guedes ter cortado verba de seu ministério. Com a anuência do presidente.

“Recentemente, Bolsonaro mandou liberar R$ 1 bilhão para obras de infraestrutura. Paulo Guedes não teve dúvida: cortou uma boa verba da pasta de Rogério Marinho, que, indignado, foi ao Planalto dizer que entregaria o cargo. Bolsonaro ignorou e tirou o dinheiro. Marinho saiu de férias. Ninguém sabe se vai mesmo se demitir”, narra a coluna Radar.

Caso deixe a gestão, Rogério Marinho sai sob o peso da acusação de ter comandado o ministério responsável por manejar a maior parte das verbas desviadas pelo governo Bolsonaro para comprar apoio parlamentar, no episódio que ficou conhecido como escândalo do Orçamento Paralelo. Sua demissão coloca ainda mais em risco sua pretensão de se candidatar ao Senado, posição que disputa com o ministro Fábio Faria (PSD), que comanda as Comunicações. Aliás, nesse campo, ele está um pouco à frente do principal oponente.

Rogério Marinho lançou o deputado federal Benes Leocádio (Republicanos) como pré-candidato ao Governo do Estado do Rio Grande do Norte. Leocádio aceitou o desafio, o que coloca Marinho em ligeira vantagem, uma vez que trata-se do primeiro passo para a montagem do palanque no qual ele sairia como nome do bolsonarismo ao Senado no Estado.

Fábio, porém, não está inerte e trabalha para que o prefeito de Ceará-Mirim, Júlio César (PSD) seja candidato ao Governo do RN.

As articulações políticas comandadas por Fábio Faria (PSD) que disputa com Marinho a preferência do Palácio do Planalto para a disputa ao Senado, certamente contam com o aval palaciano. Por ser genro de Sílvio Santos e, especialmente por encarnar a lógica bolsonarista de atacar adversários com notícias falsas e usar a mentira como estratégia política, Faria aparece em vantagem nessa corrida.

A Marinho, resta torcer que o presidente e seus filhos voltem a tê-lo em conta elevada, afinal, o ministro “ficou no olho do furacão” no episódio do desvio de verba para compra de apoio parlamentar, assumindo uma postura de blindagem ao governo. A má notícia: não é do feitio da família Bolsonaro demonstrar gratidão.

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