CRÔNICA

FELIZ NATAL! PRÓSPERO ANO NOVO!

As coisas não mudaram muito em relação aos fins de ano, ao longo das últimas décadas, pelo menos. É sempre um momento de emoções muito fortes, pois embora o que esteja terminando mesmo seja o ciclo de 365 dias caracterizado por fenômenos relacionados aos movimentos da terra dentro do sistema solar, ciclo identificado pela sequência de números no calendário gregoriano, parece, de certo modo, evocar a metáfora da própria finitude humana e induz inevitavelmente à reflexão sobre a conduta pessoal, nem sempre voluntária ou consciente, durante aquele ano ou por toda vida, em relação ao valores que prezam. Momento especial de busca de amparo na fé, na sublimação do sentimento de pertencimento à família, às amizades, a um projeto do bem.

A lógica comercial trata de animar as pessoas. É aqui que a criatividade vai introduzindo as novidades ano a ano, embora a ideia básica de vendas seja a mesma, fundamentada na satisfação em dar e receber presentes. Cada loja exalta como pode a capacidade de seu produto para tornar pleno esse prazer. Guirlandas, estrelas, velas, enfeites coloridos os mais diversos, tudo deve lembrar as festas do período. Em cada canto um Papai Noel de vasta barriga e uniforme vermelho e branco, incluindo o gorro. E o Papai Noel é uma dessas pequenas mudanças atuais. Ele agora pode adotar em sua vestimenta as cores de algum produto ou organização comercial, embora não conste que receba alguma coisa pelo merchan. Ao contrário, ele é magnânimo, está sempre presenteando os outros, inclusive, nesse caso, a empresa cujas vendas ajuda a propulsionar.

Tradições mais antigas, como colocar sapatinhos ou meias na janela, no Natal, têm sido esquecidas. As imagens do “bom velhinho” entrando nas residências pelas chaminés, o que seria desde sempre proibido pelas corporações de bombeiros, pela periculosidade do ato, compreensivelmente não são sequer conhecidas de gerações atuais. Afinal, a chaminé, escape das lareiras aquecedoras das casas, é equipamento simplesmente estranho para significativa maior parte de nossa pátria “tropicaliente”.

Finalmente, a passagem do ano, que entre os mossoroenses era marcada pelo “apito da usina” e estourar de fogos simples, tem sido cada vez mais dominada por pirotecnia cara e réveillons grandiosos, alegria maior da “indústria do entretenimento”, sinais da globalização que faz com que, pelo menos na superficialidade, pequenos burgos se pareçam cada vez mais com grandes metrópoles. Independentemente do que isso signifique verdadeiramente para um “Feliz Natal e um Próspero Ano Novo”.

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