Paralisação

Correios vão entrar em greve no próximo dia 18 de agosto

De acordo com delegacia regional do SINTEC/RN em Mossoró, movimento atingirá as agências da ECT em todo o país

As agências da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) vão fechar as portas por tempo indeterminado a partir do próximo dia 18 de agosto em virtude da greve dos seus funcionários. O movimento paredista se mostra hoje como inevitável, avaliam os trabalhadores.

Segundo Jaedson Keyre, que integra a diretoria da regional do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios, Telégrafos e Similares do Estado do Rio Grande do Norte (Sintect/RN) em Mossoró, os funcionários ecetistas estão em campanha salarial e a direção da empresa tem se colocado de forma intransigente, se negando a negociar e reduzindo direitos conquistados em lutas anteriores da categoria.

Jaedson Keyre revela que a direção dos Correios suprimiu cerca de 70 das 79 cláusulas conquistadas como fruto de dissídio coletivo que culminou em sentença normatiza.

Além da supressão de algumas dessas cláusulas, a empresa entrou com ação liminar suspendendo o efeito de outras duas importantes cláusulas, sendo definia a vigência do dissídio coletivo, que era de 2 anos, e a que estabelecia o valor de co-participação para os usuários do plano de saúde.

Com a supressão das cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho, foram retirados direitos como 30% do adicional de risco do salário (o que significa o fim do ticket nas férias), fim do anuênio, da licença maternidade de 180 dias e do auxílio creche, entre muitos outros.

“Com a retirada dessas cláusulas, nós fomos empurrados pela própria direção da empresa a enfrentar processo desgastante de negociação. Desgastante porque a empresa se recusa a negociar, e a gente fica refém dessa disposição da empresa”, ressalta o líder sindical, acrescentando que as 9 cláusulas restantes não apresentam nenhuma garantia do que o que está posto nelas será cumprido.

Para Jaedson, o desrespeito às normas do dissídio coletivo é um retrocesso gigantes do ponto de vista dos avanços conquistados pelos trabalhadores nas campanhas salariais anteriores. “Conquistas que garantimos à base de muita luta”, reforça.

Diante dessa situação de retirada de direitos, Jaedson Keyre afirma que o sindicato foi obrigado a mobilizar e organizar a categoria para ela decidir se concorda com essa nova realidade definida pela direção da empresa.

O sindicalista revela que os Correios tem se recusado até mesmo a fornecer Equipamentos de Proteção Individual, só o fazendo mediante determinação judicial. Em muitas agências ainda não está sendo disponibilizado sabonete líquido e álcool em gel, além de não ter sido providenciada a desinfecção dos ambientes.

Jaedson diz ainda que em virtude dessa situação, a maioria dos trabalhadores entende que a paralisação do dia 18 virou uma questão de sobrevivência. “Não é que tenhamos interesse em fazer a greve, mas é uma questão de necessidade. Ou fazemos a greve ou amanhã pode ser o fim do emprego de dezenas de milhares de pais de família. Por isso, precisamos organizar a resistência”, justifica.

Até agora, foram realizadas reuniões entre os 37 sindicatos que congregam os trabalhadores dos Correios em todo o país e nelas estabeleceu-se um consenso para deflagração da greve no dia 18 de agosto, com assembleia prévia para legitimação do movimento paredista.

“Esperamos que a greve repercuta em favor dos trabalhadores e também dos Correios. Estamos defendendo os nossos direitos, nossos empregos, e também estamos defendendo a empresa, que é um patrimônio dos brasileiros”, finaliza.

A Federação dos Trabalhadores na Empresa Nacional do Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (FENTECT), que representa mais de 60 mil trabalhadores em todo o país, orienta a realização das assembleias no dia 17 de agosto e a necessidade de deflagração da greve a partir das 00h do dia 18 de agosto. A entidade ressalta que todas as unidades da federação já encontram-se em indicativo de greve.

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