Entrevista

Conversa da Semana com Jorge do Rosário

O engenheiro mossoroense Jorge Ricardo do Rosário é um empreendedor nato. Com uma carreira de empresário da construção civil bem sucedida, Jorge do Rosário tem se proposto um novo desafio: conquistar um mandato eletivo. Com duas grandes pretensões, segundo ele próprio: retribuir o que a cidade de Mossoró lhe oferece e contribuir para melhorar a vida das pessoas. Jorge do Rosário já fez duas tentativas, sem sucesso nas urnas. Bem humorado, sabe que as campanhas das quais participou como candidato contaram com alguns erros, mas que trouxeram aprendizados. “Vamos olhar pra frente. Para trás, apenas para aprender com o que não deu certo”, vaticina. E garante: estará na linha de frente nas próximas eleições. “Como presidente do PL, tenho essa responsabilidade”. Uma candidatura a prefeito não está descartada, mas não será enfrentada de qualquer jeito. “É uma decisão que vai para além da questão partidária”, define.  Na Conversa da Semana, Jorge do Rosário fala de política (com muito entusiasmo), de projetos (com muito conhecimento) e da gestão da prefeita Rosalba Ciarlini (com muitas análises). Veja na íntegra:

Por Márcio Alexandre

PORTAL DO RN – Você teve o nome ventilado como possível candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pela prefeita Rosalba Ciarlini ao mesmo tempo em que tem mantido conversas com vários grupos e partidos que estão na oposição em Mossoró. No cenário de hoje, você tenderia a ficar de qual lado?

JORGE DO ROSÁRIO – Pra ser sincero: pra nenhum lado. Nós estamos conversando com todo mundo. Isso é da política. Acho que esse é o momento sim de conversar, de saber quais os pontos convergentes, pois cada tem sua maneira de se conduzir na política e o meu pensamento é que um projeto para a cidade é o mais importante a ser discutido. E nós estamos nessa fase de conversar. E o PL, eu como presidente do PL de Mossoró, nós estamos abertos a todas as conversas como você falou e não tenho nenhum problema com nenhum partido. Mas o PL tem que tomar uma posição no momento certo. Nós temos primeiro, e eu tenho dito isso aos pré-candidatos com quem a gente tem conversado e aos outros partidos que o PL tem que decidir se vamos ter candidatura própria. Alguns membros do partido tem me estimulado a ser candidato. Outros partidos tem nos procurado querendo que eu me lance candidato, e também tenho recebido de alguns amigos vários estímulos para que eu seja candidato. Então essa é uma decisão que o partido tem que tomar. E eu pessoalmente tenho que decidir também se eu serei candidato porque essa é uma questão para além do interesse partidário. Então a gente tem que analisar porque para mim é uma decisão que eu tenho como missão, mas a minha profissão é empreender, é engenharia. Sou engenheiro por formação e tenho empresas pra cuidar então tenho que pensar com muito afinco para tomar essa decisão. Agora o tempo urge e  esse tempo está se exaurindo e a gente logo logo vai ter que tomar essa decisão, para a gente, respondendo de forma direta à sua pergunta, aprofundar as conversas no sentido de decidir se vamos ter candidatura própria ou com quem a gente vai fazer composição.

PRN – Sempre se teve criou no imaginário coletivo dos mossoroenses a ideia de que a prefeita Rosalba Ciarlini é imbatível nas urnas. O senhor acredita que ainda há essa percepção entre as pessoas?

JR –  Não, não acho que seja imbatível. Ainda penso que ela é muito forte e é forte pela história dela, ninguém vai negar e as pesquisas mostram isso, embora tenham mostrado também que estamos num outro momento, onde a população tem mais informações e portanto mais liberdade para fazer suas escolhas e isso é muito bom. Agora, que é forte é forte, mas não vejo como imbatível. Quantas candidaturas ditas como imbatíveis não perderam? A própria Rosalba é exemplo disso porque quando ela enfrentou Laíre Rosado, ele era imbatível e ela ganhou. Então em política não existe candidatura imbatível.

PRN – Além de discutir nomes, o que precisa estar em debate agora nas conversas?

JR – A gente tem que discutir nomes, isso é importante, mas precismos discutir um projeto para Mossoró. A gente tem que saber o que a gente quer para Mossoró. Qual o projeto de desenvolvimento a gente quer para a cidade. Saber como é que a gente quer que esteja Mossoró daqui a 10, 20, 25, 30 anos e traçar um plano para a gente ir galgando e seja quem for o nome a prefeito, ir buscando isso. Pensar em qualidade de vida, em tonar a cidade sustentável, com mobilidade, onde a saúde funcione razoavelmente bem, onde as coisas aconteçam, onde o emprego chegue. E o nome é daquele que demonstrar maior capacidade pra liderar isso que a cidade precisa.

PRN – Considerando que a prefeita é uma forte candidata e qu naturalmente deva concorrer à reeleição, quais condições colocariam quem está na oposição com chances de vitória no pleito do próximo ano?

JR – justamente de responder as essas demandas, como é que vai resolver os problemas da cidade. Quem responder melhor. Resolver os problemas da saúde, como acabar com as filas das cirurgias eletivas, problema que já vem de muito tempo. Como é que você vai resolver isso? Como é que você vai atrair investimentos para Mossoró? Como é que você vai apoiar as micro e pequenas empresas, que são as mais empregam? Estou falando dos que já estão aqui. Chamar os padeiros, os moveleiros, e dizer o que o poder público pode fazer para facilitar sua produção, agregar valor ao seu produto, para empregar mais gente. Enfim, quem melhor responder a essas perguntas. Como vai melhorar a educação? Ter escolas estruturadas, tendo como exemplo os institutos federais. Eu gostaria muito que a educação do município fosse como os IFs, com estrutura de qualidade. Onde dá prazer você entrar, com alunos praticando esportes. Então a gente precisa, seja qual for o candidato, precisa ter um plano e saber responder. E quem souber responder e dizer efetivamente como vai fazer isso. E com planos exequíveis. Não venham com aquela história de dizer: vamos melhorar a saúde, a educação, a segurança, isso não entra vale mais. Penso que o povo já cansou disso. Tem que dizer quais são os planos e como vai fazer. Sobretudo dizer de onde vai sair o dinheiro para efetivar na prática esses planos. A gente precisa ter um candidato que saiba responder a essas demandas, demandas sociais, como a questão da educação, que tem muita gente que não tem onde morar. E é um bom momento para se responder a essas perguntas que o povo certamente pode e deve fazer e vem fazendo já há muito tempo.

PRN – Para o senhor, qual a função precípua da política?

JR – Melhorar a vida do povo. Política só se justifica se for para se fazer ações para melhorar a vida das pessoas. Se não for para fazer isso, não tem para que existir. Não é para ganhar dinheiro. Quem for para ganhar dinheiro vai roubar dinheiro do povo através da corrupção. Se for para qualquer outra finalidade, que se vá para outro lugar. Se quer ganhar dinheiro, vá empreender, vá fazer outra coisa. Politica é uma missão em que você vai usar de todos os seus conhecimentos, e formar uma equipe competente, comprometida, com espírito público, para através de suas ações melhorar a vida do ponto, para que com isso se justifique estar na política.

Como digo: gostaria muito de ter um mandato, de ter ganho todas as duas, sobretudo a última porque havia uma expectativa muito grande que eu me elegesse deputado estadual.

PRN – Você participou das duas últimas eleições sem sucesso nas urnas. Mesmo com esses resultados, você está motivado a estar na linha de frente na próxima disputa?

JR – Olha, nós vamos participar da campanha, isso é fato, já está decidido. Até porque tenho responsabilidade como presidente do PL em Mossoró. Nós estamos construindo, com dificuldades, uma nominata para eleger o máximo de vereadores. E é verdade, participei de duas eleições. Estou há pouco tempo na política, mas já participei de duas eleições como candidato, o que é diferente, e aprendi muito, devo aprender mais na frente. Como digo: gostaria muito de ter um mandato, de ter ganho todas as duas, sobretudo a última porque havia uma expectativa muito grande que eu me elegesse deputado estadual. Teve uma certa frustração nesse processo, isso é natural, mas eu penso que se não deu, não deu. Nós cometemos erros, é olhar pra frente e se eu continuo na política eu tenho que dar essa contribuição, essa responsabilidade como presidente do partido. Tenho que olhar pra frente, olhar pra trás apenas para aprender. Olhar para frente para vê como podemos contribuir, na realidade não é nem contribuir, mas retribuir a minha cidade, onde nasci, vivo aqui, trabalho aqui, e torço muito que as coisas melhorem, e eu quero dar minha contribuição. Procuro dar essa contribuição na atividade empresarial, participando da vida social, sindical – já fui presidente do Sinduscon – mas dentro da política você tem a possibilidade de ampliar essa sua ação e é isso que pretendo. Essa é a única pretensão que tenho, eu diria muito mais que é retribuição ao que Mossoró já me deu. Se vier um mandato, seja qual for, melhor, porque com mandato você tem mas condições de fazer o que você pensa. Se não vier, eu vou continuar contribuindo, participando, jogando algumas ideias de penso que daria certo, de tudo o que já aprendi na minha experiência de gestão, e espero que alguém, se achar conveniente, que faça, não é necessariamente eu que tenha que fazer, o que eu quero é que alguém faça. Se ninguém fizer e se eu tiver um mandato e puder fazer, melhor ainda. Sinceramente, eu vou continuar, e gostaria muito que quem for prefeito ou prefeita, que chame as pessoas, que abra o diálogo porque eu penso que quem está de fora entende muito melhor de que quem etá lá encastelado, e olhando apenas os assessores dizer que está tudo bacana quando não está.

PRN – O que tem despertado no empresariado, a exemplo de sua pessoa, a se interessar pela politica partidária?

JR –  Eu não sei os outros, vou falar por mim, e Tião entra nessa linha também porque entramos juntos. Eu sempre gostei de política, eu participava do meu cantinho aqui, dava meus apoios e tenho certeza que a solução de tudo passa pela política, a gente querendo ou não. É na política que se decide o que a gente pode ou não fazer. A gente elege um deputado e ele vai para Brasília fazer as leis que a gente vai ter que cumprir. Com vereadores também. E muitas pessoas reclamam e não percebem que é na política que a gente resolve nossos problemas. Fora da política é guerra. Política é conversa, é diálogo. Então entrei na política por um momento difícil que Mossoró estava passando. Eu era presidente do Sinduscon e nas reuniões a gente reclamava muito. Eu quero lembrar que eu pensei em entrar na política logo depois que a prefeita Cláudia Regina foi cassada. Eu vi, com todo respeito a Francisco José, que as coisas não ia caminhar como deveria e a cidade precisava naquele momento. Eu percebi e conversava muito com ele. E dizia a ele que tinha que tomar algumas medidas, eu tinha liberdade para dizer certas coisas a ele, e nesse momento,  gente sentado conversando, inclusive com Tião, a ente dizia: lha a cidade vai entrar numa situação muto difícil. Acho que a gente tem o dever de dar uma contribuição. Eu era presidente de um sindicato, e comecei a fazer esse debate alertando dentro da Acim, CDL, nas entidades de classe onde a gente tinha acesso, que a gente precisava dar uma contribuição, fazer um alerta, e nessas conversas surgiu a ideia de a gente fazer um Plano de Desenvolvimento da nossa cidade. Já que a gente estava dizendo que não estava dando certo, como é que daria certo? Era preciso a gente fazer alguma coisa e apresentar. E assim a gente fez. Só que desses debates surgiu a provocação: olha a ente reclama muito, fala da classe política e porque a gente não entra na política? E de fato, isso tem uma força muito grande e é verdade, a gente fica reclamando, dizendo que faria assim, e porque não vai lá e faz? Eu disse: já que a gente vai fazer e esse documento que a gente vai apresentar certamente  – eu já acostumado a dentro do Sinduscon fazer propostas do que gostaríamos que fosse executado, e depois sem exceção todo os prefeitos e governadores não chamam nem para conversar – então vamos fazer um projeto político pra a gente defender o que acha certo. Foi daí que eu entrei porque eu estava – modéstia à parte – na frente desse grupo, era eu, Tião, Marcelo Rosado, outros – então foi quando disseram: olha a gente vai ter que ter um candidato, e aí surgiu meu nome e de Tião. Tião foi mais corajoso, saiu candidato a prefeito e condicionou a candidatura ao meu nome como vice. Dois nomes pesados na mesma chapa, politicamente isso não é conveniente, os marqueteiros não queriam isso, mas a gente queria.

Não sei se vocês perceberam, mas uma campanha vai mais para o lado emocional. Não tem jeito. A gente sabe que tem esse lado emocional tem gente que chora e os problemas vão ficando à margem.

PRN – E porque vocês insistiram nessa chapa?

JR – Porque nós queríamos elevar o debate, tentar debater os verdadeiros problemas da cidade. Não sei se vocês perceberam, mas uma campanha vai mais para o lado emocional. Não tem jeito. A gente sabe que tem esse lado emocional tem gente que chora e os problemas vão ficando à margem. Tem um plano de governo que é obrigado a fazer, que de vez em quando aparece uma frase lá que é a mesma, porque muitas vezes é control C, control V, mas não há um debate profundo que na minha opinião deveria haver. Então foi por isso que a gente entrou: elevar o debate e dizer como é que a gente gostaria de fazer. E foi com esse intuito. Só que você entra numa campanha e sabe como começa, mas não sabe como termina. A campanha começou a crescer pra gente que tinha hora que a gente se assustava e a gente foi, e nossa responsabilidade aumentava a cada dia. A gente sabia como iria fazer se ganhasse, a gente já tinha na cabeça e no papel, tinha critérios, princípios que a gente não ia abrir mão. Estou na política dentro dessa missão de dar uma contribuição ou retribuição a Mossoró. Gostaria muito de fazer isso, com mandato ou sem sem mandato.

PRN – Gostaríamos que o senhor fizesse uma avaliação da atual administração municipal em três pontos. O primeiro deles é serviços públicos.

JR – Tem problemas que a gente já deveria ter resolvido. Mossoró deveria ter um plano de drenagem e nós não temos. É preciso que a gente tenha algumas obras, que já vi até em maquete. Como aquela da UFERSA, que não é carro, precisamos resolver aquilo (a duplicação da avenida Francisco Mota), que é BR, balela. Se quiser fazer, faz. E não é caro, pelo menos até a rotatória. Em toda campanha  se fala da via ligando Vingt Rosado ao Santo Antônio e nunca se faz. São obras que precisam ser feitas. Mossoró está estrangulada na questão de mobilidade. A questão que estamos relativamente, o saneamento básico, mas temo um projeto que já tem mais de 8 anos, inclusive agora está meio cambaleando, mas é preciso concluir. É preciso discutir o saneamento que diz respeito ao pagamento da taxa.

PRN – Explique melhor essa questão da taxa do saneamento?

JR – Olha, é um absurdo que se cobre 70% de taxa de saneamento. É impraticável. É possível discutir isso, inclusive a concessão do serviço de água e esgoto da CAERN, isso é uma concessão da prefeitura, é um ativo da prefeitura, e os prefeitos nunca se deram conta que é um ativo que dá dinheiro e é um patrimônio do povo. Além de a CAERN, com, todo respeito, prestar um péssimo serviço, caro, e a prefeitura fica omissa como se não tivesse nada a ver com isso e isso é um serviço da prefeitura que concedeu para a CAERN fazer. Temos problemas que precisamos discutir e resolver, que tem soluções, mesmo com dificuldade de orçamento, que dá para se resolver dentro do que a gente tem. Precisamos muito melhorar a infraestrutura. É absurdo que tenhamos em um plano de governo ação de tapa-buraco. Tapar buraco é rotina é manutenção.

PRN – Políticas públicas.

JR – Não vejo muita coisa diferente do tradicional que a gente vê inclusive em outros candidatos. Eu gostaria de ver por exemplo um plano de habitação popular. E olha que nós tivemos alguns projetos, mas são todos ainda da época do governo de Fafá Rosado. Eu não conheço – possa ser que tenha – outros projetos. Pode ser que tenha, mas não conheço até porque não foram divulgados. É imprescindível que tenha projetos porque cidade nenhuma tem condições de executar projetos de infraestrutura, habitacional,  de saneamento, porque 75% dos impostos são concentrados em Brasília, o que é um absurdo, precisa ter uma reforma para acabar com isso. Então fica lá o dinheiro e é preciso que se tenha projetos e tem que ter suas contas saneadas para você ter a contrapartida. Não vejo essas políticas públicas. Temos a questão do menor, do idoso, do esporte, e a gente não vê política pública. Se existe, é uma coisa muito pequena e que não está sendo divulgada. Não conheço.

PRN – Transparência.

JR – A gente vê algumas coisas mas precisamos melhorar muito. Nenhum poder público, seja ele, municipal ou estadual, ou federal, não se concebe hoje, até pelos meios de divulgação, hoje com um celular na mão todo mundo tem informação – então é preciso que se divulgue. Eu fico triste quando vejo um vereador solicitando para que mostre um orçamento  de uma obra simples, e houve uma votação e os vereadores disseram que não precisava. Ora, isso era para estar no Portal da Transparência. Eu penso que seria até melhor mostrar. Se fosse eu, antes de pedir eu já estaria mostrando. Deve ser uma decisão política em que eu não vejo sentido.

Não vejo problema nesse empréstimo. É um caminho natural.

PRN – Buscar um empréstimo de R$ 150 milhões ao final do terceiro ano de mandato revela uma falta de planejamento?

JR – Não vejo problema nesse empréstimo. É um caminho natural. Primeiro o município precisa ter condições de pegar, e a Caixa Econômica, que eu conheço um pouquinho, é muito rigorosa nessa análise. O que vejo de estranho é a forma como aconteceu. Aí é onde entra a questão da comunicação, do diálogo. Então, falta isso. A gente se ressente muito dessa falta de diálogo. Antes talvez desse certo porque era outro momento. Hoje, todo mundo sabe de tudo. Primeiro que não há mais monopólio da informação, você não tem como segurar uma informação, ela está em todos os lugares. Então é a maneira como se faz que cria um determinado problema e que eu acho que não seria necessário. Por exemplo: os vereadores da oposição tiveram que entrar na Justiça. Se eu fosse o prefeito, eu chamaria os vereadores da oposição  e tentava convencer a cada um e registrar, chamava a imprensa, tentava convencer que é bom para a cidade, não vejo muita dificuldade nisso. Dizer como vai pagar, que não vai comprometer, enfim, isso dá para fazer, mas às vezes isso precisa de um pouco de humildade para fazer isso, aí estica a corda, fica essa disputa. Em resumo: não vejo problema em si no empréstimo, agora da maneira como foi solicitado, sem esse diálogo, é que se cria esses problemas, o que é ruim para cidade, cria-se até dificuldades para se conseguir o empréstimo.

PRN – Mudando um pouco de assunto, quais os projetos da Repav para 2020?

JR – Todo ano a gente faz um planejamento para o ano seguinte. O que estamos executando em 2019 foi o que planejamos em 2018. Na nossa política de investimentos, nós lançamos dois empreendimentos que, por coincidência, está em torno de R$ 50 milhões, esse ano, e para 2020, estamos lançando mais 2 empreendimentos, também da ordem de R$ 50 milhões. Isso mostra que a gente continua acreditando na cidade, no nosso Estado e que a gente acredita também na recuperação econômica do país. Saiu da pior fase, temos um longo caminho, e agora estamos começando a recuperação, e o país precisa crescer. A Repav acredita nessa recuperação, mas sobretudo, acreditamos em Mossoró. Mossoró é uma cidade rica. Poucas cidades tem as condições que Mossoró tem para se desenvolver.

PRN – Quais as principais?

JR – Nós estamos a 40 quilômetros do litoral, estamos a 200 quilômetros (que não é nada) de dois portos, o de Pecem, no Ceará, e 260 do de Natal, que pé menor, mas é importante. Nós temos reservatórios d´água em torno de Mossoró, como as barragens Armando Ribeiro Gonçalves, Umari, Santa Cruz, o açude Castanhão, no Ceará, e nós temos um mar de água mineral; temos calcário que é sem fim, graças a Deus. Sem falar em sal, e petróleo (que ainda tem muita coisa para explorar). Olha quanta coisa eu já falei aqui! Outra coisa que eu reputo como muito importante que já está consolidado: o polo acadêmico. Sem isso, nada pode acontecer. Temos ainda energia solar, energia eólica. Uma cidade dessa não tem como dar errado. E é uma cidade polo de uma região que tem milhões de consumidores. Uma cidade dessas não tem como não se desenvolver. Agora a gente precisa acelerar. Aí é onde entram as políticas públicas que são os catalizadores para as coisas acontecerem numa velocidade maior e que eu penso que já deveriam estar numa situação melhor.

PRN – Nessa perspectiva, qual então o papel do gestor público?

JR – A responsabilidade do gestor público, do poder público é justamente fazer com que as coisas aconteçam. Ele não faz, mas ele faz com que as coisas aconteçam. Eu digo o seguinte: as coisas acontecem, o orçamento é importante, as demandas são sempre maiores que o orçamento e aí é onde entra a capacidade do gestor para fazer escolhas que melhorem o orçamento e que atendam quanto mais essas demandas, as demandas sociais, porque o governo precisa ter um foco direto com as classes necessitadas. Quem precisa de governo é o povo necessitado. Os outros precisam que o governo não atrapalhe, não crie dificuldades, não criando dificuldades, estimulando, as coisas acontecem inclusive para ele fazer a política pública, social, que é isso que tem que ser feito.

PRN – Sua avaliação final.

JR – Quero agradecer a oportunidade que vocês estão me dando e parabenizar pelo Portal do RN, é preciso, é importante, quanto mais informação chegar ao povo, mais critérios eles terão para fazer suas boas escolhas. Não precisamos sair da política, não precisamos demonizar a política. Precisamos melhorar nosso quadro político. A gente precisa fazer escolhas melhores. E ter as políticas públicas que melhorem a qualidade de vida do povo.

 

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