Há um sol que nasce antes do céu clarear,
e ele atende pelo nome de mãe.
Não traz coroa,
não veste seda,
nem escreve seu nome em livros de ouro —
mas semeia histórias na terra
com as mãos calejadas de amor.
É mãe de barro nos pés,
de vento nos cabelos,
de silêncio forte como raiz profunda.
Ela acorda junto com o galo,
mas é o coração que a desperta primeiro —
um coração que conhece a fome do mundo
e ainda assim reparte o pão.
Seus braços são caminhos
por onde passam filhos, sonhos, colheitas.
Seu colo, um pedaço de chão seguro
onde o medo desaprende a existir.
A mãe campesina
não mede o tempo em horas,
mas em safras,
em chuvas esperadas,
em sementes confiadas à incerteza.
E ainda assim, acredita.
Acredita na terra,
na vida,
no amanhã que insiste em brotar
mesmo depois da seca.
Seus olhos guardam horizontes,
e suas mãos —
ah, suas mãos —
são mapas de luta,
de cuidado,
de resistência.
Neste Dia das Mães,
não lhe ofereçam apenas flores —
ela conhece o ciclo delas.
Ofereçam respeito, escuta,
e o reconhecimento de que o mundo
também floresce
por causa dela.
Porque há mães que geram filhos,
e há mães que sustentam o próprio tempo.
E a mãe campesina —
ela faz os dois
com a mesma coragem
com que planta
e espera.
TANIAMÁ VIEIRA DA SILVA BARRETO (Taniamá Barreto) é professora aposentada da UERN, escritora, sócia fundadora das seguintes academias: AFLAM, ocupante da Cadeira 12; ALAM, ocupante da Cadeira 01; e ACJUS, ocupante da Cadeira 03. É Titular da Cadeira 08 da AMOL e Patronímica da Cadeira 57 do CONINTER. Integra o ICOP, a SBEC, o Museu do Sertão, a ALAMP e a ASCRIM, além de Sócia Correspondente da AAPOL.
