Surto de ‘bicho-de-pé’ atinge cerca de 100 crianças
Cerca de 100 crianças e adolescentes do assentamento Luiz Beltrame, localizado no conjunto Parque dos Coqueiros, na Zona Norte de Natal, foram diagnosticados com tungíase, doença popularmente conhecida como bicho-de-pé.
A situação mobilizou uma ação emergencial realizada no último sábado (4), que reuniu médicos, voluntários e entidades sociais para atender os moradores da comunidade.
A tungíase é causada pela penetração de uma pequena pulga na pele, geralmente nos pés. O parasita provoca coceira intensa, dor e inchaço e, quando não tratado adequadamente, pode causar infecções graves e outras complicações.
O surto foi identificado por voluntários que atuam na comunidade e levou o projeto Pediatria Itinerante, que realiza atendimentos periódicos em áreas vulneráveis, a promover uma edição extraordinária voltada exclusivamente para o tratamento da doença.
Segundo a coordenadora do projeto, Beatriz Jucá, a gravidade dos casos encontrados motivou a mobilização emergencial.
“Muitas crianças apresentavam bicho-de-pé, algumas com cerca de 30 a 40 lesões. É uma pulga muito pequena, que forma uma espécie de bolsa na pele e provoca muita dor. Quando vimos a situação, decidimos ajudar com médicos e tratamento”, afirmou.
Ao todo, 11 médicos participaram da ação realizada em uma escola municipal da região. As crianças passaram por avaliações clínicas, receberam prescrições médicas e, nos casos considerados mais graves, foram encaminhadas para acompanhamento especializado.
A dona de casa Isabel Cristina afirmou que a tungíase é um problema frequente na comunidade. Ela contou que já teve a doença e que atualmente os três netos enfrentam a infecção.
“Já tive, e hoje os meus três netos estão com bicho-de-pé. Onde a gente mora não tem como não pegar, porque é uma área que tem animais e outras coisas que transmitem. A gente coloca remédio, mas o problema volta porque é constante”, relatou.
Outra moradora do assentamento, Simone dos Santos, descreveu a situação como uma calamidade e associou o aumento dos casos às condições ambientais da região.
“Principalmente quando chove muito, ficam muitas poças de água e isso gera muitos germes e bactérias. Muitas crianças têm bicho-de-pé. Já teve caso de criança precisar fazer cirurgia por causa de infecção”, disse.
O médico pediatra Francisco Mikussi alertou que, embora muitas pessoas tratem a tungíase como um problema simples, a doença pode evoluir para quadros graves quando não recebe tratamento adequado.
“Nessas situações de maior dimensão, existem riscos importantes, como infecções bacterianas secundárias e até transmissão de tétano em crianças que estejam com vacinação incompleta. Nosso objetivo aqui é identificar os casos mais graves e encaminhá-los adequadamente”, explicou.
Segundo o médico, as lesões provocadas pelo bicho-de-pé podem infeccionar rapidamente.
“Algumas pessoas até brincam com a situação, porque o local provoca coceira, mas não é brincadeira. Essas lesões podem evoluir para infecções graves, quadros sépticos e até precisar de hospitalização”, afirmou.
g1 RN
