Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração do Sal do RN. Extenso nome do que ficou conhecido simplesmente por sindicato dos salineiros. Havia uma discussão se salineiro era o dono ou trabalhador de salinas. O “Aurélio” diz que é quem fabrica ou vende o sal. Portanto, pega todo mundo. Foi provavelmente a segunda instituição sindical da cidade de Mossoró, depois do Sindicato da Construção Civil. Embora existindo como associação desde antes de 1935, seu reconhecimento pelo Ministério do Trabalho deu-se em 1946.
Proporcionalmente o número de associados representava significativa parcela dos trabalhadores do RN, considerando Mossoró, Macau, Areia Branca e Grossos, área não por acaso chamada de região salineira, além de moradores de Açu e de todo o vale. Por isso, suas lideranças tornaram-se interlocutoras de políticos e de governos, municipais e estaduais, mesmo sem exercer cargos fora do âmbito sindical. Destacam-se nesse item as figuras de Joel Martins do Nascimento (Joel Paulista) e Antonio de Lima Souza (Antonio Tenório). Outros tiveram atuação mais adstritas à própria classe de trabalhadores, como Alfredo Avelino, Raimundo Xaxá, Pedro Maciel, Francisco Henrique, Antonio Fernandes (Antonio Encarnado), os dois últimos de Areia Branca, e Antonio Hemetério, de Grossos.
Joel Paulista foi o nome mais notório quanto à atuação política mais ampla, pela militância no Partido Comunista do Brasil, então na ilegalidade. Preso em 1935, com Jonas Reginaldo e outros. Preso novamente em 1964, quando já afastado da atuação sindical. Manteve por toda vida suas convicções políticas nos moldes e conceitos vigentes à época.
O Sindicato dos Salineiros mantinha em sua sede, na Rua Prudente de Morais, uma escola de ensino fundamental para os filhos de associados e de outras famílias naquela área de transição entre o centro da cidade e os bairros Paredões, Bom Jardim e Barrocas. A professora Luiza Benedita iniciou nas letras várias gerações, com sua voz firme e gosto de ensinar.
O órgão classista tinha expressiva participação no carnaval de rua. Seu bloco, o Salinistas, movimentava o período pré-carnavalesco com os ensaios, desfilava nas tardes de carnaval com suas cores, vermelha, azul e branca, e promovia os bailes na sede, uma extensa programação festiva no período.
O Salinistas foi também clube de futebol com histórias de campeonatos conquistados no antigo Estádio da Benjamin Constant ou campo da Liga, época de Alderi, Mimi, Ibiapino, Arranha, Nopa e outros.
