Combate à Covid-19

Rússia anuncia primeiro registro de vacina contra novo coronavírus

Apesar do anúncio, comunidade científica internacional questiona eficácia do produto

A Rússia é o primeiro país do mundo a registrar uma vacina contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O anúncio foi feito hoje pelo presidente Vladimir Putin.

“Esta manhã uma vacina contra o novo coronavírus foi registrada pela primeira vez no mundo”, disse o chefe do Kremlin em reunião com o Gabinete de Ministros.

Segundo o presidente, a vacina russa é “eficaz”, passou em todos os testes necessários e permite obter uma “imunidade estável” contra o COVID-19.

De acordo com as agências internacionais, Putin afirmou que uma de suas duas filhas já tomou a vacina, sem informar qual delas teria tomado a dose. Suas filhas são Maria, de 35 anos, e Ekaterina, 34.

Há uma semana, o Kremlin anunciou que iniciaria em outubro um projeto de vacinação em massa contra o coronavírus. Mas sabe-se muito pouco sobre a eficácia dessa vacina e ela vem sendo questionada por especialistas internacionais.

Segundo informou no último dia 4 o ministro da Saúde, Mijail Murahkko, depois de completar “ensaios clínicos”, o país realizará registros e começará a produção da dose para iniciar em dois meses a vacinação em massa.

“A primeira vacina contra o coronavírus, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, completou seus ensaios clínicos e agora estão sendo preparados os documentos para o procedimento de registro”, antecipou Murashko há uma semana.

A eficiência da vacina, no entanto, é colocada sob suspeita. A Rússia não publicou nenhum estudo ou dado científico sobre os testes que realizou, e também não se conhecem os detalhes sobre as fases do processo que geralmente devem ser cumpridas antes de se aprovar e lançar no mercado uma vacina.

Nesta segunda-feira, 10/11, em entrevista à Itar-Tass, o ministro da Indústria e Comércio, Denis Manturov, indicou que no próximo mês três empresas russas vão começar a produção comercial.

Segundo indicou o Ministério da Saúde, após o registro e a produção, a vacinação deve começar em outubro de forma gratuita. Inicialmente, de acordo com as autoridades sanitárias, serão vacinados grupos especiais da população: médicos, professores e aqueles que estão constantemente em contato com grandes grupos de pessoas.

Também ontem, 10/11, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que, apesar de haver várias vacinas na fase final de testes, a eficiência destas ainda está para ser demonstrada e que, provavelmente, não haverá uma “solução imediata”.

“Várias vacinas se encontram agora em ensaios clínicos de fase três, e todos esperamos ter várias eficazes que possam ajudar a prevenir a infecção nas pessoas. No entanto, não há uma solução imediata neste momento e pode ser que nunca haja”, disse o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A fase três seria a última das etapas de aprovação de uma vacina, e também a mais decisiva, pois é quando se produzem as evidências reais sobre o seu uso contínuo.

Na terça-feira (4), um porta-voz da OMS reforçou os pedidos de cautela. “Às vezes, pesquisadores afirmam que encontraram algo. Isso é, obviamente, uma boa notícia”, disse Christian Lindmeier. “Mas há uma grande diferença entre descobrir, ou ter uma pista, de uma vacina que funcione e passar por todas as fases (de testes)”, acrescentou. (Com informações da TV Globo e portal G1).

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