Idema

RN tem 172 espécies de animais ameaçadas de extinção; veja quais

O Rio Grande do Norte tem 172 espécies de animais ameaçadas de extinção. É o que aponta a primeira lista oficial elaborada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), divulgada na edição desta quarta-feira (28) do Diário Oficial do Estado (DOE).

Segundo o Idema, as espécies são da fauna silvestre nativa, residentes ou migratórias, que ocorrem naturalmente no Rio Grande do Norte, abrangendo ambientes terrestres, aquáticos continentais, costeiros e marinhos, incluindo o mar territorial e a zona costeira adjacente.

Veja, mais abaixo, algumas espécies que estão na lista:

Animais marinhos classificados como Criticamente em Perigo:

peixe-serra (Pristis pectinata);
tubarão-martelo (Sphyrna lewini);
mero (Epinephelus itajara);
tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea);
peixe-boi-marinho (Trichechus manatus)

Fauna terrestre e continental:

ararajuba (Primolius maracana);
gavião-de-pescoço-curto (Leptodon forbesi);
jacucaca (Penelope jacucaca);
ema (Rhea americana);
perereca-da-caatinga (Pseudopaludicola jaredi).

A lista completa pode ser acessada no site do Idema.

As espécies avaliadas foram enquadradas nas categorias Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU), conforme critérios compatíveis com os adotados pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), ajustados às especificidades ecológicas, territoriais e socioambientais do Rio Grande do Norte.

Segundo o Idema, o documento será atualizado periodicamente, a cada quatro anos, ou sempre que novos dados científicos relevantes indicarem a necessidade de revisão.

A portaria publicada no DOE também estabelece diretrizes para proteção, conservação, manejo e recuperação da fauna silvestre.

Os objetivos dessas diretrizes, segundo o Idema, são:

  • subsidiar o licenciamento ambiental;
  • apoiar ações de fiscalização e controle;
  • fomentar pesquisas científicas;
  • fortalecer a educação ambiental; e
  • embasar políticas públicas voltadas à conservação da biodiversidade.

De acordo com órgão, as espécies classificadas nas categorias de ameaça passam a ser consideradas prioritárias para ações de conservação no estado.

O documento também prevê restrições à captura, perseguição, transporte, comercialização e destruição de habitats — salvo nos casos autorizados pelo órgão ambiental competente, como pesquisas científicas, ações de manejo, programas de reprodução e atividades de educação ambiental.

“Estamos falando de 172 espécies da nossa fauna, que vivem em ambientes terrestres, aquáticos, costeiros e marinhos, e que agora passam a ter prioridade nas ações de proteção, no licenciamento ambiental, na fiscalização e nas políticas públicas do Estado”, explicou o diretor-geral do Idema, Werner Farkatt.

Lista avaliou espécies e distribuição geográfica

Para a elaboração do documento, o Idema contou com atuação de diversos pesquisadores da UFRN, UERN, UFERSA, entre outras instituições, que avaliaram, com base em dados científicos disponíveis, diferentes grupos de animais silvestres, como:

  • insetos (libélulas e borboletas);
  • peixes de ambientes continentais, estuarinos e marinhos;
  • crustáceos;
  • anfíbios;
  • répteis, incluindo tartarugas marinhas;
  • aves; e
  • mamíferos marinhos.

A análise considerou critérios científicos reconhecidos, levando em conta a distribuição geográfica das espécies, o estado de conservação, as ameaças existentes e a disponibilidade de informações técnicas específicas para o estado.

“Para quem trabalha com pesquisa, é o primeiro passo para definirmos outras ações. Ter essa catalogação é importante para subsidiar tomadas de decisão, ampliar o conhecimento acadêmico sobre conservação e biodiversidade e apoiar pesquisadores em vários campos de atuação”, falou o coordenador de Fauna do Idema, Marcelo da Silva.

Licenciamento ambiental

Segundo o Idema, essa lista passa a ser obrigatoriamente considerada nos processos de licenciamento ambiental conduzidos pelo órgão.

Segundo o Instituto, a identificação de espécies ameaçadas em áreas de empreendimentos poderá resultar na exigência de estudos ambientais específicos, adoção de medidas que reduzem ou compensem o impacto, imposição de algumas condições ou até no indeferimento do pedido.

Veja coordenadores responsáveis pela coleta dos dados para elaboração da lista oficial:

  • Eliza Maria Xavier Freire (UFRN) – Répteis
  • Flávio José de Lima Silva (UERN) – Mamíferos Aquáticos
  • Fúlvio Aurélio de Morais Freire (UFRN) – Crustáceos
  • Jorge Bañuelos Irusta (Irusta Consultoria) – Libélulas
  • Larissa Nascimento dos Santos (UFRN) – Borboletas
  • Liana de Figueiredo Mendes (UFRN) – Peixes marinhos
  • Mauro Pichorim (UFRN) – Aves
  • Milena Wachlevski Machado (UFERSA) – Anfíbios
  • Sérgio Maia Queiroz Lima (UFRN) – Peixes de água doce e estuarinos
  • Simone Almeida Gavilan (UFRN) – Tartarugas marinhas

g1 RN

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